Ibovespa sobe 2,2% e bate o 5º recorde no ano. dólar cai
O principal índice da B3, a Bolsa de São Paulo, fechou ontem em nova máxima histórica, a quinta ...
O principal índice da B3, a Bolsa de São Paulo, fechou ontem em nova máxima histórica, a quinta registrada neste mês. O Ibovespa subiu 2,2% e atingiu o recorde de 175.589 pontos. No ano, a alta acumulada já é de 9%. O dólar caiu 0,67%, a R$ 5,28, menor cotação desde 11 de novembro.
Na leitura de analistas, o movimento do mercado ontem reflete o apetite do investidor internacional em direção à Bolsa brasileira em meio a tensões geopolíticas provocadas pelo presidente americano, Donald Trump, que promovem a saída das aplicações dos Estados Unidos em direção a outros países.
" O que vimos foi um acirramento aumentando a crise de institucionalidade dos EUA como epicentro do problema. O mundo começou a ter um comportamento parecido com aquele após o Liberation Day (Dia da Libertação, em abril de 2025, quando Trump anunciou as tarifas recíprocas a centenas de países): reduzir a superexposição aos ativos nos EUA e correr para outros mercados mais competitivos " avalia Raphael Figueredo, estrategista de renda variável da XP.
R$ 8,7 BI DE ESTRANGEIROS
Estrangeiros injetaram R$ 8,7 bilhões nas ações brasileiras só neste mês, mais de um terço do total aportado em todo ano passado, de R$ 25,4 bilhões.
" Em um momento de aumento da incerteza, críticas do governo americano em relação ao BC americano (Federal Reserve, o Fed), discussões geopolíticas e comerciais. Isso se torna um gatilho para o investidor repensar estratégia de aplicação global " avalia Ricardo França, da Ágora Investimentos.
A busca por ativos reais, afirma Figueredo, contribui para o ímpeto. Assim como a valorização do ouro, que reflete a busca por ativos de segurança, a grande exposição da Bolsa brasileira a commodities, de cerca de 30%, é um fator importante para a valorização.
Relatório do banco americano JPMorgan projeta que o Brasil pode receber um ingresso de US$ 25 bilhões, acrescentando que o ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic) previsto para começar neste trimestre pode contribuir com uma "camada de otimismo" sobre o país.
" O Ibovespa costuma ter rentabilidade média de 32% durante todo o ciclo de queda de juros. É um catalisador importante " afirma Figueredo, da XP.
O Ibovespa pode subir a 186 mil pontos no fim de 2026, prevê a XP, ou até a 233 mil pontos na estimativa mais otimista, o que representaria uma valorização anual de 33%.
Apesar das projeções otimistas, analistas apontam que o investidor que deseja começar a aplicar na renda variável precisa ter muita atenção.
" Antes de entrar na Bolsa, o investidor precisa ter a reserva de emergência formada. Isso evita que ele tenha de resgatar recursos em momentos de oscilação do mercado " ensina Larissa Frias, planejadora financeira do C6 Bank.
Em relação ao dólar, o movimento de queda vai em linha com a rotação de portfólio dos EUA, afirma Marcos Iório, gestor da Integral Investimentos:
" Esse dinheiro que entra em Bolsa e renda fixa fortalece a moeda, pressionando o dólar para baixo.
JUROS ATRAENTES
Em relatório, o o banco BTG Pactual avalia que dados da atividade econômica brasileira mais fortes reforçaram as apostas de que o ciclo de cortes da Selic começará só em março, mantendo a atratividade de aplicar dinheiro no Brasil.
"Com a contínua incerteza do lado eleitoral pela indefinição dos candidatos que disputarão o pleito, é possível que o orçamento de corte monetário seja um pouco menor, favorecendo a moeda no curto prazo e, assim, justificando a recente apreciação do real", afirma o relatório.