Canal do panamá é e continuará sendo do panamá, diz mulino
Os presidentes do Panamá e do Brasil defenderam ontem a neutralidade do Canal do Panamá, ...
Os presidentes do Panamá e do Brasil defenderam ontem a neutralidade do Canal do Panamá, que permite a passagem de navios entre os oceanos Atlântico e Pacífico e é o principal hub logístico das Américas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já ameaçou uma ação militar para controlar o canal reclamando das taxas cobradas para o trânsito dos navios e de uma "excessiva influência chinesa".
" O Panamá, por seu canal e seus portos estratégicos, tem convivido com tensão durante anos, mas ela se aprofundou recentemente. Isso não nos apavorou, mas nos mostrou quão importante somos como uma via estratégica mundial, seja para a América do Norte, a América do Sul, a Ásia ou a Europa. O comércio mundial, as importações e exportações ficam mais eficientes quando usam nosso canal, que está à disposição de todos os países " disse o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, ao discursar ontem no primeiro dia do Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, realizado pelo CAF na capital panamenha.
Dirigindo-se aos demais chefes de Estado presentes ao evento, Mulino enfatizou que o Canal do Panamá "não é concorrente de seus países" e "está a serviço de toda a região para um comércio fluido e transparente". No final do discurso, foi enfático:
" O canal do Panamá é e continuará sendo do Panamá.
Em seu discurso, Lula também defendeu a neutralidade do canal.
" A integração em infraestrutura não tem ideologia. Por isso, o Brasil defende a neutralidade do Canal do Panamá, administrado de forma eficiente, segura e não discriminatória há quase três décadas " disse Lula.
Lula e vários dos chefes de Estado que participaram do Fórum do CAF, o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe visitaram ontem a Eclusa Cocolí, no Canal do Panamá.
No fim do ano passado, o governo brasileiro enviou para aprovação do Congresso o Protocolo ao Tratado Relativo à Neutralidade Permanente e ao Funcionamento do Canal do Panamá, ratificado por 40 países com o objetivo de assegurar o tratamento neutro e não discriminatório a navios civis e militares de todos os países em trânsito pelo canal.
(*Do Valor)