Fórum discute urgência de preservar a amazônia
América LATINA e Caribe
América LATINA e Caribe
A Amazônia foi a protagonista no debate sobre mudanças climáticas realizado ontem no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, no Panamá, com ênfase na urgência da conservação da floresta que está presente em nove países da América do Sul: Peru, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname, Equador, Guiana Francesa e Brasil. Os ministros e ambientalistas presentes destacaram o potencial bioeconômico da região e a necessidade de preservação da mata, principalmente por seu impacto nos extremos climáticos.
Para Rachel Biderman, vice-presidente sênior para as Américas da organização não-governamental Conservação Internacional, se os países da região não conseguirem manter pelo menos 80% da floresta conservada " 17% já foram desmatados ", a América Latina corre sérios riscos de perder a posição de maior provedora de alimentos do mundo.
" Estamos chegando ao ponto de não retorno. Entendemos que até 2030 será possível ter uma mudança, mas os recursos públicos e de organismos multilaterais sozinhos não são suficientes.
O ministro panamenho do Ambiente, Juan Navarro, disse que é preciso deixar de ver os recursos naturais e sua conservação como "atividades opcionais":
" É o contrário. A riqueza natural é a grande vantagem competitiva da região, principalmente num mundo globalizado e competitivo como o de hoje " disse Navarro, destacando que o próprio Canal do Panamá depende de água doce e "quando não há chuva, há extremos climáticos, e o canal não pode funcionar em sua plenitude".
REGISTRO DE PATENTES
Inés Manzano, ministra de Energia do Equador (que tem em seu território a Amazônia, os Andes e Galápagos), diz que seu país tem investido em desenvolver patentes.
" O Equador tem a maior diversidade , mas não tem nenhuma patente registrada em bioinsumos. Queremos incentivar a bioeconomia " disse Inés, acrescentando que a preocupação do país inclui os recursos hídricos, o que é de especial interesse do Brasil." Temos afluentes que desembocam no Rio Amazonas. O que eu decido no Equador, permitindo atividades sem controle , como mineração, sem combater o garimpo em áreas protegidas, isso impacta Peru, Colômbia e Brasil. Como o presidente Lula afirmou aqui na quarta-feira, mesmo com diferenças ideológicas e distintas politicamente, somos todos como um bloco. Se for diferente, não funciona.
Rachel defendeu o mercado de carbono e lembrou que o Panamá já é "carbono negativo". Ela citou modelos de produção sustentável de palma na Amazônia, desenvolvido com as comunidades da região, como soluções para desenvolver a bioeconomia. Raquel lembra que o Brasil tem investido em produtos de exportação da Amazônia, com 29 commodities para exportação, como açaí, castanha-do-pará, cacau e dendê.
Para Inês Manzano, avanços dependem da participação das comunidades locais:
" A pedra fundamental vai ser o diálogo com as pessoas que vão se beneficiar ou que terão de restringir suas atividades em nome da conservação.
Gustavo Manrique, ex-ministro de Ambiente do Equador, comparou a riqueza natural dos países da região com a das nações desenvolvidas:
" Nossa moeda é a biodiversidade. O desafio é como dar valor a ela viva.
Raquel alertou para o garimpo ilegal e afirmou que um terço do território está tomado por facções criminosas que não permitem que as atividades legais avancem.
O Fórum Econômico América Latina e Caribe é uma realização do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e tem parceria de mídia do GLOBO e do Valor Econômico.