Ipos voltam à mesa, e há fila de empresas carentes por eles
Entrevista
Entrevista
Depois da estreia de PicPay e Agibank em Bolsas americanas e diante de recordes sucessivos do Ibovespa, as empresas estão otimistas pela abertura da chamada "janela de IPOs" na B3 após mais de quatro anos fechada, diz o sócio da G5 Partners. A firma independente de gestão de patrimônio e assessoria tem mais de R$ 40 bilhões na carteira.
Os IPOs vão desencantar este ano?
O ano começou diferente. Desde a última "janela" de IPO, em 2021, a discussão era da linha "os IPOs vão voltar no ano que vem". Agora, contrariando o ditado, este ano começou antes mesmo do carnaval e já muito quente, com grande fluxo de investimento estrangeiro. Junto com a perspectiva de queda de juros, isso eleva os preços na Bolsa. É claro que a questão fiscal e a política vão pesar, e estamos em um ano mais curto, com Copa e eleição. Todo mundo vai tentar acelerar as operações ao máximo. Mas a expectativa é que possamos começar a destravar o mercado de IPO.
A janela está aberta?
De fato, ainda não abriu. Em geral, depois do primeiro, a torneira abre. Há uma demanda reprimida por operações entre empresários e famílias. Isso estava fora da mesa no ano passado. Somos muito próximos a esses grupos familiares, e nossa conversa com eles é que a janela é curta. Eles precisam estar preparados.
Quais setores serão destaque?
Há uma fila de empresas carentes dessas transações. Matéria-prima não falta. Setores como infraestrutura, saneamento " e a BRK é um nome óbvio há muito tempo no radar ", imobiliário e tecnologia têm candidatas.
E nas fusões e aquisições?
No ano passado, já esperávamos alguma melhoria, e ela se concretizou. Após alguns anos pedindo mais, o vendedor entendeu que o preço era aquele mesmo, e as transações saíram. Para 2026, o movimento se intensifica.
Por quê?
Porque há fluxo e aumento do valor das empresas na Bolsa, o que amplia o interesse de quem quer vender. Tudo indica que será, de novo, um bom ano, mesmo mais curto.
Semana passada, uma nova ferramenta de IA assustou investidores, que venderam ações de softwares mundo afora. Isso não fecha a janela?
Não diria que o impacto tenha sido permanente. Até porque, no caso de transações iminentes, voltar atrás é custoso.
Vocês também fazem reestruturações. O que esperar para este ano?
Temos um recorde de empresas em recuperação judicial, com juros altos etc. Há casos grandes vindo à mesa. Isso também se reflete nos M&As, já que a solução para muitas empresas é vender o que não está funcionando.
Daniel Lombardi, sócio da G5 Partners