A motoserra de paes
Nos últimos dez anos, mais precisamente entre 2016 e novembro do ano passado, a Prefeitura ...
Nos últimos dez anos, mais precisamente entre 2016 e novembro do ano passado, a Prefeitura do Rio autorizou a derrubada, na Zona Sul, de 3.419 árvores, muitas delas centenárias. Nesse período, os bairros que mais perderam árvores foram o Jardim Botânico (759), seguido da Gávea (707) e de Botafogo (515). O levantamento, com base em dados oficiais, é da arquiteta Rose Compans, do movimento "Rio Não Está à Venda", que luta pela preservação da paisagem natural e do patrimônio cultural da cidade.
Aliás, recentemente houve manifestação de moradores contra o corte de 71 árvores no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, e outro tanto também em projeto imobiliário na Marquês de São Vicente, na Gávea. "Acho que tem aumentado a consciência de que árvore não é paisagem, é necessidade, serviço e direito", diz Rose.
Além disso, no início do mês, uma carta aberta a Eduardo Paes, assinada, entre outros, por Fernanda Montenegro, Anitta, Ney Matogrosso, Marisa Monte, Xuxa, Maria Padilha, Carlos Minc e Maria Bethânia e por associações como a Ama-Gávea e o Instituto Vida Livre, diz que o Rio apresenta hoje um déficit superior a um milhão de árvores a serem plantadas. Os signatários também defendem "o retorno integral do licenciamento ambiental de empreendimentos urbanos à Secretaria de Meio Ambiente, transferido pelo prefeito, ainda em 2021, para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, cujo foco central não é, naturalmente, a questão ambiental".
O manifesto pede mais diálogo, transparência e possibilidade de acompanhamento técnico efetivo nos processos de compensação ambiental " aquele mecanismo que permite, numa obra, o corte de árvores, desde que a empresa plante um número maior de mudas em outro local da cidade.
Vamos torcer, vamos cobrar.