Martes, 17 de Marzo de 2026

Países do golfo limitaram alternativas ao estreito

BrasilO Globo, Brasil 17 de marzo de 2026

De todos os riscos que o sistema energético global enfrenta há muito tempo, nenhum era ...

De todos os riscos que o sistema energético global enfrenta há muito tempo, nenhum era maior ou mais conhecido do que o possível fechamento do Estreito de Ormuz. A curta passagem que liga o Golfo Pérsico ao resto do mundo é ao mesmo tempo vital e extremamente vulnerável a ataques. A razão de não existir uma alternativa real se deve a uma combinação de geografia, tensões políticas e competição econômica entre as potências petrolíferas da região.
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos podem contornar o estreito com oleodutos, mas só conseguem transportar uma pequena fração da produção. Para outros países, a única maneira de evitar Ormuz seria construir um oleoduto atravessando uma nação vizinha, um empreendimento politicamente delicado, caro e vulnerável a ataques iranianos.
" Não há nada que seja totalmente seguro ali " resume John Browne, ex-diretor executivo da gigante BP, sediada em Londres, a antiga Anglo-Iranian Oil Company.
Analistas presumiam que, se chegasse o momento, os EUA usariam seu poder militar para manter o estreito aberto. Embora Donald Trump tenha prometido escolta naval dos EUA, a ideia não foi adiante.
" Sempre existiu o cenário de pesadelo, mas parecia ser pouco provável. A segurança vinha do fato de que os países consumidores estariam lá para proteger o petróleo " disse Daniel Yergin, historiador de energia vencedor do Prêmio Pulitzer e vice-presidente da consultoria S&P Global.
Com o Irã atacando navios e refinarias, os embarques pelo estreito caíram para menos de 10% dos níveis anteriores à guerra, e os países do Golfo cortaram a produção.
" Não importa a que preço o petróleo chegue. Se você não pode vender nenhum petróleo, é melhor deixá-lo no subsolo " diz Shwan Ibrahim Taha, presidente do banco iraquiano Rabee Securities.
UNIÃO FROUXA
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Catar, Omã e Bahrein pertencem a uma união frouxa chamada Conselho de Cooperação do Golfo. Os líderes falam há mais de uma década em construir um sistema ferroviário unificado de passageiros e cargas, com poucos resultados.
Nos últimos anos, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, os dois países mais poderosos da região, frequentemente estiveram em desacordo, adotando políticas petrolíferas diferentes e apoiando lados distintos em conflitos armados na região, inclusive no Iêmen, um país pobre e devastado pela guerra que tem uma longa fronteira com a Arábia Saudita e fica na entrada do Mar Vermelho.
Mais de um quarto do petróleo que normalmente é exportado pelo Estreito de Ormuz ainda consegue sair da região. A maior alternativa é o oleoduto da Arábia Saudita até o Mar Vermelho, que pode transportar até 7 milhões de barris de petróleo por dia, mas 2 milhões de barris são destinados a refinarias dentro do próprio reino. Os Emirados Árabes Unidos usam um curto oleoduto de Abu Dhabi até Fujairah, que começou a operar em 2012, contornando o estreito, mas o Irã já atacou instalações nas duas extremidades.
O Irã também conseguiu mover parte de seu petróleo pelo estreito em navios, o que tem causado irritação nos Emirados Árabes Unidos.
" Como eles podem vender enquanto nós somos impedidos? Alguém está pagando a conta das interrupções causadas pela guerra, e esse alguém somos nós " questiona Nadim Koteich, analista de origem libanesa próximo ao governo dos Emirados Árabes.
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