Grupo fleury negocia parceria com porto seguro e oncoclínicas
O grupo de medicina diagnóstica Fleury anunciou, em fato relevante divulgado ontem, que ...
O grupo de medicina diagnóstica Fleury anunciou, em fato relevante divulgado ontem, que iniciou negociações com a Oncoclínicas e a Porto Seguro para criar uma empresa reunindo as mais de 140 unidades de tratamento de câncer atualmente operadas pela Oncoclínicas, conforme informou o colunista do GLOBO Lauro Jardim. A proposta preliminar prevê a transferência dessas clínicas para a nova estrutura, que também poderia assumir parte das dívidas da Oncoclínicas, até um limite de R$ 2,5 bilhões.
Após o anúncio, as ações da Oncoclínicas dispararam e fecharam o pregão na B3 em alta de 57,05%, cotadas a R$ 2,45, após atingirem a máxima de R$ 2,62 ao longo do dia.
Fleury e Porto Seguro fariam um investimento conjunto de R$ 500 milhões e passariam a controlar o negócio por meio de uma holding. Não há detalhes sobre a participação de cada uma no negócio. As três empresas agora seguem em negociação exclusiva por 30 dias, a contar de 13 de março, para tentar fechar os termos finais do acordo.
Os papéis da Porto Seguro encerraram com ganhos de 3,75%, a R$ 49,23, enquanto as ações da Fleury avançaram 4,69%, para R$ 15,61.
Mudança no conselho
Esse acordo, conhecido como term sheet, não obriga as empresas a fechar o negócio, já que depende dos termos dos contratos, da análise detalhada das contas da companhia e do aval de órgãos reguladores.
O CEO da Oncoclínicas, Carlos Gil, afirmou que a empresa discute mudanças no Conselho de Administração. O colunista Lauro Jardim informou que o Bradesco, dono de 30% do Grupo Fleury, exigiu a renúncia de Bruno Ferrari, fundador da Oncoclínicas e CEO até o ano passado, como premissa para o acordo.
" A transição no comando da Oncoclínicas começou no segundo semestre do ano passado. Quando Ferrari assumiu como CEO, era um mandato que tinha data de começar e terminar. O que aconteceu nos últimos meses foi simplesmente esse processo sendo colocado em prática " disse Gil.
O executivo afirmou que o crescimento da Oncoclínicas sempre esteve ligado à busca por uma parceria estratégica:
" A Oncoclínicas tem um modelo em que a jornada do paciente é monitorada e transformada em dados. Só que nos falta a jornada antes do diagnóstico. Essa é a maior sinergia com o Fleury, poder antecipar o diagnóstico.
Em relatório, o Itaú BBA avalia que, à primeira vista, a transação é coerente com a estratégia do Fleury de avançar em segmentos mais complexos e de maior crescimento, como o de oncologia. O banco ressalta que ainda é necessário acompanhar o desenrolar das negociações. O documento do Itaú também diz que a possível migração das clínicas para a nova empresa pode exigir a renegociação de contratos com operadoras de saúde e até comprometer acordos de exclusividade hoje mantidos pela Oncoclínicas.
CDBs do Master
Para Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, a estratégia faz sentido na tentativa de reestruturação da Oncoclínicas:
" A operação injetaria recursos, concentraria a atividade operacional em uma entidade com novo controle e estrutura de capital. Isso permitiria um reperfilamento de passivos e dívidas que pesam sobre o caixa da companhia.
Já para a Porto Seguro, a operação representa a oportunidade de investir em um segmento de saúde com forte demanda e crescimento estrutural, além de criar integração entre serviços médicos e planos de saúde.
Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, afirmou que a participação do Fleury no negócio ao lado da Porto Seguro chama a atenção, especialmente considerando a presença do Bradesco como acionista relevante do grupo.
Segundo ele, a Oncoclínicas construiu uma ampla rede de hospitais e clínicas em diversos estados, mas baseada em endividamento, o que preocupa analistas. Na avaliação de Conde, a entrada da Porto Seguro pode reduzir custos com tratamentos oncológicos ao integrar a operação.
Conde disse, porém, que os principais problemas da Oncoclínicas estão ligados a uma estratégia agressiva de aquisições e aumento de capital, além de decisões financeiras mal recebidas pelo mercado, como a compra de CDBs do Banco Master.
Colaborou Roberto Malfacini Jr.