Brent acima de us$ 110 pressiona mais os juros
A guerra no Oriente Médio entra na quinta semana, com a cotação do petróleo no maior nível ...
A guerra no Oriente Médio entra na quinta semana, com a cotação do petróleo no maior nível desde o início do conflito. Dos primeiros ataques em 28 de fevereiro até o fechamento do mercado na última sexta-feira, o barril do óleo tipo Brent, padrão global, subiu nada menos que 55%, a US$ 112,57, e já estava a US$ 116,50 na abertura de hoje.
A alta impacta as estimativas do juro americano, que baliza o mercado global. Economistas revisaram para cima as previsões de inflação nos EUA e reduziram as de gastos do consumidor, crescimento e emprego. Se em fevereiro a aposta era de que o Fed faria ao menos duas reduções em 2026, a previsão agora é de manutenção até setembro de 2027. E o pior: já há apostas de aumento da taxa este ano.
" As cotações do petróleo mais altas acabam contaminando os preços de toda a economia no mundo inteiro, com expectativa no curto prazo de inflação pressionada e o mercado de juros mais sensível " avalia Luiz Laudari, sócio e gestor de portfólio da Galapagos Capital.
No Brasil não é diferente. Antes do conflito, a estimava para a taxa básica de juros (Selic) girava em torno de 12% no fim do ano, mas a instabilidade já faz o mercado precificar taxas de 14,25% no fim de dezembro.
Na última sexta-feira, o fechamento do mercado de juros futuros deu a dimensão do estrago. Dois dias antes de EUA e Israel bombardearem Teerã, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 13,18%. Na sexta-feira fechou a 14,40%. Para janeiro de 2028, avançou de 12,48% para 14,20%.
O Boletim Focus divulgado na segunda-feira da semana passada " antes de a ANP mostrar que houve aumento do diesel nos postos em março de 23,56% e de 7,96% na gasolina " já mostrava elevação na projeção da Selic, de 12,13% no fim de fevereiro para 12,50%, e a previsão de nova elevação no boletim de hoje.