Amado batista e byd entram na lista de trabalho escravo
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu 169 empregadores no cadastro de patrões que ...
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) incluiu 169 empregadores no cadastro de patrões que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecido como "Lista Suja" do trabalho escravo, que agora contém 613 nomes.
Entre os novos incluídos está o cantor Amado Batista, autuado em duas ocasiões em 2024, nos meses de agosto e novembro, em Goianápolis (GO). Um dos casos envolve o Sítio Esperança, com dez trabalhadores, e o outro, o Sítio Recanto da Mata, com quatro trabalhadores.
A montadora chinesa BYD também foi incluída. O caso remonta a dezembro de 2024, quando o Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou 163 operários em condições degradantes no município de Camaçari (BA), na Região Metropolitana de Salvador. Os trabalhadores atuavam na empresa Jinjiang, uma das empreiteiras contratadas pela BYD para a construção de sua primeira fábrica no Brasil.
Fábrica em Camaçari
Foram interditados alojamentos e trechos do canteiro de obras da fábrica de automóveis que está em construção em Camaçari, no mesmo lugar em que funcionou uma unidade da Ford. A BYD informou, na época, que decidiu romper o contrato com a terceirizada e que colaborava com os órgãos fiscalizadores.
Procurada, a assessoria do cantor Amado Batista disse que não houve resgate de nenhum trabalhador nas propriedades e que todos os funcionários continuam trabalhando normalmente.
Segundo o comunicado, houve uma fiscalização em uma fazenda arrendada pelo cantor, na qual foram identificadas irregularidades na contratação de quatro trabalhadores vinculados a uma empresa terceirizada.
Neste caso, foi assinado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), com o MPT, e todas as obrigações dos colaboradores foram integralmente pagas e quitadas.
"Já estão sendo tomadas todas as providências administrativas para o encerramento de todo e qualquer procedimento de autuação", conclui a nota.
Questionado sobre o caso envolvendo os dez trabalhadores, que não foi mencionado na resposta ao jornal, a assessoria respondeu apenas que o caso "não existe".
A BYD não retornou até o fechamento desta edição.
Nomes na lista por 2 anos
A inclusão no cadastro ocorre apenas depois da conclusão de processo administrativo. Os nomes permanecem na lista por dois anos, mas podem ser retirados antes desse prazo caso os empregadores solicitem a assinatura de um acordo de regularização com o Ministério do Trabalho, passando a ocupar uma lista de observação.
Esse documento é publicado semestralmente para dar transparência aos mecanismos de combate ao trabalho escravo, que envolvem uma força-tarefa composta por auditores fiscais do Trabalho, Polícia Federal (PF), MPT, Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e, em alguns casos, de outras forças policiais.