Na europa, lula critica barreiras ao biocombustível brasileiro
Às vésperas da entrada parcial em vigor do acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul, o ...
Às vésperas da entrada parcial em vigor do acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou ontem em Hanôver, na Alemanha, a parceria entre os blocos, mas criticou o que chamou de "afirmativas falsas" sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira e barreiras impostas ao biocombustível nacional.
Lula discursou na cerimônia de abertura da Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, na cidade alemã onde desembarcou na manhã de ontem e foi recebido pelo chanceler Friedrich Merz. Eles tiveram primeiro uma reunião privada e, depois, com suas comitivas.
Mais tarde, os dois seguiram para a abertura da feira, que neste ano tem o Brasil como país-destaque e acontece até a próxima sexta-feira, dia 24. Em seu discurso, a uma plateia formada por autoridades governamentais e industriais alemães e uma comitiva brasileira de ministros, empresários e lideranças sindicais, Lula enfatizou o potencial do acordo Mercosul-UE, que entra em vigor no dia 1º de maio de forma parcial, e pediu que os europeus valorizem a importância da matriz energética limpa do Brasil:
" Em menos de duas semanas entra em vigor o acordo que cria mercado de quase 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto de US$ 22 trilhões. Mais comércio, mais investimentos significam novos empregos e oportunidades. Com maior integração produtiva, reforçamos a estabilidade das cadeias de suprimentos. Existem inúmeras complementaridades ainda não exploradas. O Brasil pode ajudar a UE a diminuir o custo de energia e descarbonizar.
O presidente também mandou um recado a países europeus que ainda tentam travar a implementação completa do acordo, como a França, que acusa o Brasil de ter regras ambientais frágeis, que representariam concorrência desleal aos produtos agrícolas franceses. Lula citou a questão dos biocombustíveis em um cenário de disparada do petróleo.
" É essencial que o bloco leve em conta a matriz energética usada em nossos processos. Ainda combatemos afirmativas falsas a respeito da sustentabilidade de nossa agricultura. Criar barreiras de acesso a biocombustíveis é contraproducente do ponto de vista ambiental e energético. Na década de 1970, vivemos choques do petróleo que evidenciaram os perigos da dependência do petróleo " afirmou.
Em seu discurso, Lula fez novas críticas à instabilidade global causadas pelo governo de Donald Trump.
" O convite do Brasil para a feira de Hanôver consolida a posição do Brasil como parceiro confiável em mundo de instabilidade e incerteza " disse o presidente, que também fez críticas à "paralisia da Organização Mundial do Comércio" e apontou a "necessidade de refundar a organização".
Fundada em 1947, a Hannover Messe reúne anualmente na cidade alemã mais de 200 mil visitantes e cerca de 5 mil expositores de mais de 70 países, gerando bilhões em negócios e parcerias.
BRASIL NA FEIRA
O Brasil, neste ano, é o país-parceiro do evento, e Lula inaugurará hoje o pavilhão brasileiro, um espaço de 2.700 m² de exposição, organizados em seis áreas temáticas: transição energética, hidrogênio, digitalização, indústria avançada, economia circular e inteligência artificial (IA), com estandes de empresas, exposição de produtos, áreas exclusivas para reuniões de negócios e painéis de debates.
São 140 expositores brasileiros, desde grandes empresas como Embraer e WEG a 60 startups, numa missão organizada pela ApexBrasil, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).
(*Do Valor)