País capta r$ 4 bi na alemanha para fundo clima e mobilidade
O presidente Lula inaugurou ontem o Pavilhão Brasil na Hannover Messe 2026, a maior feira ...
O presidente Lula inaugurou ontem o Pavilhão Brasil na Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, que neste ano tem o Brasil como país-parceiro. Ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, Lula criticou barreiras europeias aos biocombustíves brasileiros e disse que o "Brasil pode se transformar numa espécie de Arábia Saudita dos combustíveis renováveis". Durante o evento, o BNDES revelou que levantou R$ 4,1 bilhões (€ 700 milhões de euros) junto ao banco de fomento alemão e a instituições europeias para o Fundo Clima e outros projetos "verdes".
O Fundo Clima é administrado pelo BNDES e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente para financiar projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. O orçamento de 2026 agora está em R$ 27 bilhões.
No acordo com o BNDES estão envolvidos o KkW (banco de fomento alemão), a Agence Française de Développement (da França), a Cassa Depositi e Prestiti (da Itália) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Dos R$ 4,1 bilhões anunciados, R$ 3 bilhões (cerca de € 500 milhões) serão destinados diretamente ao Fundo Clima e R$ 1,1 bilhão (€ de 200 milhões de euros) a projetos de mobilidade verde. É o primeiro aporte direto da Alemanha para o Fundo Clima.
" Iniciativas como o aporte de parceiros estrangeiros no Fundo Clima reiteram nossa visão de um desenvolvimento inclusivo e atento à transição ecológica global, e o BNDES pode desempenhar um papel fundamental nessa parceria " disse o presidente do banco de fomento brasileiro, Aloizio Mercadante, que integra a comitiva presidencial na Alemanha.
BIOCOMBUSTÍVEIS
Lula usou sua participação na feira de Hanôver para fazer uma ampla defesa do setor de biocombustíveis brasileiro, ameaçado na Europa. Uma proposta em discussão pela União Europeia (UE) poderá restringir o uso de biodiesel de palma e de soja pelas empresas da região:
" O Brasil pode se transformar numa espécie de Arábia Saudita dos combustíveis renováveis. Temos que defender as alternativas que o mundo está precisando, que é a descarbonização. Por isso sou defensor intransigente dos biocombustíveis.
O presidente criticou "barreiras de acesso" a essas fontes de energia pelos europeus e disse que "os alemães não podem acreditar na mitologia dita por alguns, que são contra a inovação tecnológica na área de combustíveis, de que o combustível brasileiro atrapalha a produção de alimentos".
Ambientalistas e técnicos da UE têm argumentado que a produção do biodiesel de soja e de palma gera um risco de mudanças indiretas no uso da terra, o que poderia prejudicar o abastecimento alimentar. Segundo Lula, "ninguém seria louco de substituir produção de comida por biodiesel", e o Brasil "é capaz de produzir sem comprometer a produção de alimentos e áreas de florestas".
O chanceler alemão disse que o fato de o Brasil usar o biodiesel e o álcool para mobilidade mostra que é um exemplo viável.
" Não deveríamos descartar tecnologias que vão se tornar relevantes daqui a 20, 30 anos. Temos mais de 1 bilhão de carros a combustão nas estradas no mundo afora e será grande tarefa descarbonizar esses veículos. Isso não vai funcionar só com carro elétrico " afirmou o chanceler alemão.
(Os jornalistas viajaram a convite da Apex Brasil)
(*Do Valor)