Alckmin diz que ‘é natural’ reduzir jornada de trabalho
O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, reforçou ontem ser favorável ao ...
O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, reforçou ontem ser favorável ao fim da escala 6x1, mas defendeu que cada setor tenha suas especificidades respeitadas. A declaração veio após uma visita às instalações da fábrica da Unipar Carbocloro, em Cubatão (SP), que se tornou a maior produtora de cloro de membrana da América do Sul após passar a receber investimentos de mais de R$ 1 bilhão.
" É natural que haja uma redução da jornada de trabalho. Isso precisa ser debatido, precisa ser discutido, o governo apoia (o fim da 6x1). E há a necessidade de se analisarem as especificidades, porque não é todo mundo que tem a mesma lógica " disse Alckmin.
O seu argumento é que os avanços tecnológicos recentes, como inteligência artificial (IA) e robótica, permitem um novo modelo de jornada de trabalho.
" Isso vale para a agricultura, onde você mecaniza muito. Isso vale para a indústria, automação, robô, até para serviços, medicina. Você pega radiologia, tomografia, ressonância, vai ter muita leitura por robô, por inteligência artificial. Então, é natural que haja uma redução da jornada de trabalho.
Textos em tramitação
Na semana passada, o governo Lula enviou ao Congresso Nacional o projeto de lei que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal máxima de trabalho de 44 para 40 horas. A proposta foi encaminhada com urgência.
Na prática, se o projeto for aprovado, haveria a adoção do modelo 5x2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso), substituindo a lógica atual da escala 6x1 em partes dos setores econômicos, como os de comércio e serviços. A proposta mantém a possibilidade de escalas diferenciadas, como o modelo 12x36, desde que respeitado o limite de 40 horas semanais. Também prevê que ajustes possam ser feitos por meio de acordos e convenções coletivas.
Em paralelo, tramita na Câmara dos Deputados, a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que trata do mesmo assunto. O texto está sob análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), deu sinais de que vai priorizar a PEC e busca fazer Lula desistir de urgência do projeto de lei. (Com g1)