Bancos já renegociam no desenrola e fazem oferta a outros públicos
Os bancos começam a fazer negociações diretas com os devedores nos termos do Novo ...
Os bancos começam a fazer negociações diretas com os devedores nos termos do Novo Desenrola Brasil e já recebem cadastros de clientes interessados nos parcelamentos garantidos pelo programa. As instituições estão aproveitando o programa para renegociar débitos que estão fora do escopo do Desenrola 2.0.
Mas os devedores estão enfrentando dificuldades para acessar as plataformas dos bancos e fazer as transações, de acordo com os relatos nas redes sociais. O programa, que foi detalhado na última segunda-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê até 90% de desconto em dívidas no rotativo do cartão de crédito e no cheque especial e de 80% no cartão de crédito parcelado e crédito pessoal, além de juros de 1,99% ao mês no refinanciamento.
O Ministério da Fazenda informou que o acesso dos sete maiores bancos ao sistema do Fundo de Garantia de Operações (FGO) está funcionando normalmente. Os demais bancos estão providenciando habilitação, segundo a pasta.
O Banco do Brasil informou que realizou 1.807 renegociações, num total de R$ 3 milhões. Segundo a instituição, mais de 40 mil clientes procuraram o banco para verificar se atendem às condições do programa e manifestar interesse na renegociação pelo site.
queixas nas redes
A instituição diz que negociou mais 10,1 mil contratos fora do Desenrola, num total de R$ 94,8 milhões: a "quantidade de renegociações, considerando todos os públicos, saltou 87% na comparação com o início da semana passada", diz a nota do banco.
Segundo o Bradesco, 18 mil correntistas já manifestaram interesse em participar do programa. A instituição também está oferecendo condições especiais aos clientes que não se enquadram no programa do governo federal, seja por atraso menor ou maior do que o previsto ou renda superior ao estabelecido. O Nubank lançou iniciativa similar para ampliar o público-alvo.
Na Caixa Econômica Federal, só é possível renegociar os débitos se o pagamento for à vista. Segundo o banco, equipes internas tentam resolver "o mais breve possível" entraves técnicos para liberar o pagamento parcelado dos valores, seguindo as regras do programa. Segundo o banco, 5 mil pessoas se cadastraram ontem. A efetivação do acordo com pagamento parcelado e a limpeza do nome do consumidor, porém, só passam a valer quando o banco conseguir liberar o sistema interno.
Mesmo com o avanço do programa pelos bancos, clientes têm reclamado nas redes sociais. A atriz e professora Brenda Safra, de 25 anos, está tentando aderir ao Desenrola 2.0 desde anteontem. Ela tinha uma dívida inicial de R$ 4 mil no cartão de crédito de um banco, mas ficou desempregada, não conseguiu pagar as faturas, e o valor subiu para R$ 16 mil com os juros.
Ela conta que entrou em contato com a instituição novamente ontem, mas a resposta foi que o banco não tem "uma previsão exata para a liberação do Desenrola 2.0 para todos os clientes" e que o acesso é estendido "aos poucos":
" Basicamente, o banco diz que não está disponível para todos os usuários por ser (um programa) recente.
Interessado em renegociar uma dívida antiga do cartão de crédito de um grande banco, Otavio Reis tentou entrar em contato com a instituição para ver se as condições oferecidas pelo programa seriam acessíveis para ele ficar em dia financeiramente. Não teve sucesso:
" Fui informado de que ainda não está disponível para mim. Muitas pessoas querem pagar, mas acabam sem opções viáveis de renegociação.
Internautas relatam encontrar descontos menores que os do Desenrola 2.0. É o caso de Izaias Almeida, que buscou, na Serasa, se encaixar no programa, com uma dívida de R$ 37 mil. Almeida atende a todos os critérios previstos:
" Consegui acessar o programa, porém as propostas foram praticamente as mesmas já oferecidas anteriormente.
O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirma que o governo está atento e vai atuar caso bancos usem o chapéu do novo Desenrola Brasil para fazer acertos com descontos menores aos correntistas.
Colaborou Fabio Graner
*Estagiária sob supervisão
de Danielle Nogueira