Jueves, 07 de Mayo de 2026

Brasil é maior destino de investimento chinês em 2025

BrasilO Globo, Brasil 7 de mayo de 2026

Os investimentos chineses no Brasil saltaram 45% no ano passado ante 2024, para US$ 6,1 ...

Os investimentos chineses no Brasil saltaram 45% no ano passado ante 2024, para US$ 6,1 bilhões, o maior montante desde 2017, segundo levantamento que o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) divulga hoje. O estudo mapeou 52 projetos ou transações de investimento, recorde da série histórica iniciada em 2007.
Com o avanço, o Brasil foi o principal destino dos investimentos da China no exterior em 2025, ano do tarifaço, segundo dados do China Global Investment Tracker, monitor do think tank americano American Enterprise Institute (AEI), compilados pelo CEBC. Em 2024, o Brasil havia ficado em terceiro lugar. A última vez em que esteve na liderança do ranking de aportes foi em 2021.
Segundo o diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC, Tulio Cariello, o protagonismo do Brasil se deve a uma combinação entre riqueza de recursos naturais, grande mercado consumidor e base industrial já estabelecida. Tanto que os destaques nos investimentos foram os setores elétrico, de mineração e automotivo. Agregando por outra ótica, 31 projetos, ou 60% do total, foram associados à redução de emissões de carbono.
No levantamento do CEBC, o setor elétrico respondeu por 29,5% dos investimentos no Brasil no ano passado, com US$ 1,79 bilhão. A CPFL " que atua em geração, transmissão e distribuição de eletricidade e é controlada, desde 2017, pela gigante State Grid Corporation of China " foi a principal investidora de 2025, segundo o estudo. O plano de investimentos 2026-2030 soma R$ 31,1 bilhões, conforme divulgado pela CPFL.
Na mineração, a CMOC desembolsou US$ 1 bilhão para adquirir minas de ouro da canadense Equinox Gold em Minas Gerais, Bahia e Maranhão. Na indústria automotiva, a BYD e a GWM inauguraram suas fábricas, na Bahia e em São Paulo, respectivamente.
Maior sofisticação
O apetite pelo mercado brasileiro ajuda a explicar o recorde no número de projetos e transações, diz Cariello, com uma diversificação para investimentos menores na indústria manufatureira " a chinesa Vivo Mobile anunciou que fabricará celulares na Zona Franca de Manaus " e nos serviços de tecnologia, como os aplicativos de entregas, com a 99 e a Keeta.
Além da diversificação, há uma sofisticação, afirma o advogado Christiano Rehder, sócio da área de Societário e Fusões e Aquisições do escritório Lefosse, ao relatar contatos recentes de investidores chineses. As empresas chinesas têm, cada vez mais, contratado serviços locais de assessoria jurídica e financeira, adaptando-se rapidamente às particularidades nacionais.
" Eles não querem mais ser considerados azarões. Querem estar na frente, ser considerados investidores de primeiro nível, bem relacionados e bem amparados, com assessores jurídicos e financeiros de primeira linha. Há uma disposição para passarem a ser vistos como alguém que não é um aventureiro do Oriente " diz Rehder.
A diversificação ajuda a manter o Brasil entre os maiores destinos do capital chinês, mesmo após uma mudança: quando começou a expansão mundo afora, a política de investimentos de Pequim priorizava grandes mercados consumidores dos países desenvolvidos; só recentemente passou a focar nos emergentes.
" A China está tendo mais dificuldade para investir em países que eram particularmente atrativos até dez anos atrás. Os investimentos na Europa e nos EUA, mesmo que cresçam eventualmente, já não estão mais naquele nível que era antigamente " afirma Cariello.
Cenário geopolítico
Essa dificuldade tem a ver com o cenário geopolítico, explica o diretor do CEBC. A relação bilateral entre o Brasil e o gigante asiático aprofunda-se à medida que os EUA vão adotando posição mais isolacionista sob o comando de Donald Trump. O tarifaço derrubou as exportações do Brasil para os EUA, mas as vendas para a China seguiram batendo recordes.
" O Brasil não tem nenhum contencioso sério com a China. Estamos distantes desses grandes conflitos, no Oriente Médio e no Leste Europeu. É uma combinação de fatores que favorece muito a entrada do investimento, e já tem empresas investindo aqui há muito tempo " diz Cariello.
Já Marco Aurélio Alves de Mendonça, técnico da área internacional do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), chama a atenção para a complementaridade das economias do Brasil e da China. E isso pesa mais do que a postura de Trump, que pode ter efeitos de curto prazo no comércio ou nos discursos diplomáticos:
" Eles precisam muito da gente e a gente deles. A relação está solidificada.
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