Anvisa determina recolhimento de parte dos produtos da marca ypê
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de todos os lotes ...
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de todos os lotes com numeração final 1 de uma lista de lava-louças (detergente), lava-roupas e desinfetantes da marca Ypê. A medida abrange a suspensão de fabricação, comercialização e distribuição dos produtos. A recomendação para quem tiver os itens em casa é "suspender imediatamente o uso" (veja ao lado a lista dos artigos suspensos). De acordo com a agência reguladora, a decisão foi tomada após avaliação técnica de risco sanitário constatar "descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, o que inclui falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle", disse a Anvisa.
Os produtos da Ypê alvos da suspensão são fabricados pela Química Amparo na cidade de Amparo (SP), município paulista onde está a matriz da empresa, que tem outras cinco unidades produtivas no país e contestou a decisão da Anvisa (leia abaixo). A Ypê já era alvo da atenção da Anvisa pelo menos desde novembro de 2025, quando foi detectada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em três variedades de lava-roupas líquidos.
O microrganismo não é altamente contagioso, mas é um patógeno que pode afetar pessoas com problemas de baixa imunidade.
A ação da Anvisa ontem foi decidida após inspeção conjunta realizada com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) e a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo), na semana passada. Segundo o diretor do CVS, Manoel Lara, foi constatada, pela segunda vez, contaminação de produtos de limpeza com microrganismos.
Fiscais que participaram do trabalho relataram ter constatado problemas de higiene e investigam a hipótese de contaminação da água por esgoto nas instalações da fábrica.
A decisão de interromper a produção, segundo Lara, foi motivada pelo que o agente público classificou como "incapacidade da companhia de resolver de maneira consistente o problema, constatado inicialmente em novembro do ano passado".
" Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Tinha tanto falhas documentais quanto falhas relacionadas a questões de higiene e limpeza das áreas de produção. De alguma forma, essas falhas poderiam estar ligadas à contaminação por Pseudomonas aeruginosa " disse Lara.
Segundo o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo, está sendo investigada a hipótese de um rompimento na estrutura para escoamento de esgoto ter contaminado o reservatório de água usada nos produtos. O ambiente de produção, afirma Lara, não era adequado.
DEFESA DO CONSUMIDOR
Todos os produtos suspensos são de lotes cujos números terminam com o numeral 1 (veja abaixo como identificar). A Associação de Supermercados do Rio, que reúne grandes redes do estado, orientou o "recolhimento imediato" dos produtos. O Código do Consumidor estabelece que, em casos de recolhimento sanitário, o consumidor tem direito à reparação integral sem qualquer custo adicional. Isso significa que a empresa e o local de venda são obrigados a substituir o produto, devolver o valor pago ou oferecer outra solução (leia mais abaixo).