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Potencial estéril
O Brasil convive há décadas com o fato de ser uma das nações mais ricas em recursos naturais do planeta e, ao mesmo tempo, incapaz de transformar esse potencial
em desenvolvimento social consistente. Enquanto
o país desperdiça energia
em disputas políticas permanentes, burocracia excessiva, gastos públicos ineficientes e falta de planejamento de longo prazo, serviços essenciais continuam frágeis e a produtividade da economia permanece baixa. Países como Japão e Coreia
do Sul demonstram que desenvolvimento não depende apenas de recursos naturais, mas principalmente de investimento pesado em capital humano, inovação e eficiência do Estado. Mesmo enfrentando limitações territoriais e escassez de recursos, essas nações priorizaram educação técnica, pesquisa, industrialização e planejamento estratégico de longo prazo, criando economias altamente produtivas e competitivas. Sem uma mudança estrutural de prioridades, o país continuará tendo potencial de potência, mas resultados muito abaixo
da sua capacidade real.
Oswaldo Jesus Motta
Rio
Infiltração corrosiva
Os desdobramentos do
Caso Master reafirmam o
que todos sempre soubemos:
o crime organizado (não dos traficantes, mas dos poderosos políticos) se infiltrou em todos os Poderes da República e
fez do Brasil uma verdadeira republiqueta das bananas, dos bandidos e picaretas. E nós, cidadãos eleitores, somos aqueles que chancelam "
com votos, sangues, suores e lágrimas " essa farsa de democracia misturada com carnaval, futebol e promessas vãs dos salvadores da pátria.
Marcelo Gomes Jorge Feres
Rio
A culpa é do Sidônio
PF aponta que primo de Vorcaro fugiu de casa em carrinho de golfe minutos antes da chegada dos agentes Eu já aguardava lances cinematográficos para esse caso Master. Aí está uma fuga que merecia as lentes de um bom diretor e faria a plateia gargalhar. Proponho o comediante americano Steve Martin para o papel de Felipe Vorcaro em sua louca escapada. Outros lances de cinema virão. Personagens famosos dos três Poderes se revezando em
cenas mirabolantes. E as eleições se aproximando.
É óbvio que o escândalo cai
no colo do governo de plantão. E, depois, a culpa é do Sidônio.
Evandro Pagy
Rio
Daniel, você manda
O senador Ciro Nogueira seria condenado à morte na China.
A pena poderia ser convertida em prisão perpétua caso ele demonstrasse arrependimento sincero e colaborasse com as investigações. Na terra onde cantam os sabiás, não haverá vontade política para levar o caso adiante, o Conselho de Ética vai arquivar sem ler, presidente de partido político, cidadão de bem, goza de imunidade parlamentar etc. Com toda a exposição que vai receber, Ciro Nogueira já ganhou a próxima eleição,
quiçá até se lance à Presidência da República, com
Daniel Vorcaro como vice.
Mário Barilá Filho
São Paulo, SP
O senador Ciro Nogueira (PP/PI), se comprovado seu envolvimento no Caso Master, tem de perder seu mandato.
Jane Araújo
Brasília, DF
Na tabela de Vorcaro,um ministro do STF vale muito mais que um senador. O tombo do Banco Master tem que ser bilionário, o modus operandi é de alto custo, bancas de advogados, ministros, políticos, sexo, festas, farofas jurídicas, lobistas, ex-presidente da República, ex-ministro da Fazenda, jornalistas, funcionários do Banco Central, degustação de uísque e outras coisas mais.
Vital Romaneli Penha
Jacareí, SP
Empregado de luxo
Como se não bastasse o belo salário, mais os penduricalhos como plano de saúde, ajuda-terno, auxílio-moradia, passagens de avião, carro e motorista, além de inúmeros servidores à sua disposição, as pessoas só entram na política (e no poder), em sua grande parte, para se locupletar. Se não, vejamos: esta semana tivemos mais um deputado do Rio preso por desvio de verba na Educação. Em países sérios, daria prisão perpétua, pois roubar na educação é matar o futuro do país e dos sonhos de crianças e jovens em viver num mundo melhor. Um outro caso é do senador acusado de ser empregado de luxo de um banqueiro preso por corrupção, com uma mesada de R$ 300 mil ao investigado político. Engraçado esse número,
300 mil, será um padrão?
Juca Serrado
Rio
Alívio e sequela
O governo Lula demonstra habilidade política ao transformar o combate à inadimplência em ativo eleitoral. O novo programa de renegociação de dívidas é apresentado como medida social, mas pouco se destaca que parte do risco será coberta pelo Fundo Garantidor de Operações, abastecido com recursos públicos. Na prática, eventuais prejuízos privados poderão acabar distribuídos entre os contribuintes. A iniciativa pode aliviar milhões de endividados, mas também suscita dúvidas sobre responsabilidade fiscal e estímulo à inadimplência recorrente. Quando o Estado assume continuamente os riscos das dívidas privadas, consolida-se a percepção de socialização das perdas. Também chama atenção
o viés paternalista de medidas como restringir apostas
aos beneficiários, tratando
o endividamento mais
como questão moral do
que econômica.
Metsu Yan
Rio
Obstáculo pétreo
Integrantes dos três Poderes aventam a possibilidade de reduzirem a maioridade penal através, por mais fácil, projeto de lei (PL) ou projeto de emenda constitucional (PEC).
É fundamental e necessário, mas infelizmente... A questão da maioridade penal é considerada uma cláusula pétrea, ou seja, ela não pode ser alterada sequer por PEC, muito menos por um PL. As cláusulas pétreas são aquelas, imutáveis, que protegem direitos e garantias fundamentais, como a dignidade da pessoa humana, o direito à vida, e a maioridade penal é um desses pilares.
O artigo que faz essa proteção
é o 60, parágrafo 4º da Constituição. Ele lista as chamadas cláusulas pétreas.
Só com uma nova Constituição.
Ricardo Müller
Teresópolis, RJ
Very well, Charles
O discurso do rei Charles III sobre alianças "inquebrantáveis" entre democracias ganha ainda mais relevância diante das tensões internacionais atuais. Em tempos de radicalização e instabilidade, sociedades livres precisam fortalecer valores comuns, como liberdade, respeito e dignidade humana.
O combate ao extremismo não é responsabilidade de um único país, mas um desafio global
que exige união e lucidez.
Eliahu Hasky
Rio
Alerj na má trilha
Já há algum tempo, está instalado no Estado do Rio histórico assustador de governadores cassados, condenados ou afastados do cargo, e eis que a Alerj está indo pelo mesmo caminho, com a prisão de mais um deputado. Não vai demorar muitoeserá enquadrada como facção criminosa, disputando com milicianos, bicheiros e CV espaço para praticar seus conchavos.
MAURICIO COSTA
NITERÓI, RJ
Brisa refrescante
Até as pedras do Arpoador têm consciência do caos político que o Estado do Rio vive há décadas. Mas, enfim, as orações dos cidadãos de bem do estado e a suprema súplica do juiz Gilmar Mendes (STF) para que "Deus tenha piedade do Rio" foram ouvidas pelo Todo-Poderoso.
As diferentes organizações criminosas, públicas e privadas, que aparelharam o estado vêm sofrendo fortes reveses. O desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e governador interino, em menos de dois meses, publicou decretos e normas de compliance, extinguiu secretarias inócuas, exonerou mais de 1.400 funcionários comissionados contratados a bem da descarada politicagem de autoajuda, determinou auditorias internas em todas as secretarias e estabeleceu normas de contratação. Couto é uma refrescante brisa moralizadora e ética que sopra sobre as nossas escaldadas e sofridas cabeças e um sopro de esperança. Homem de fala equilibrada e direta. Não
é político e, apesar de ser desembargador, não se colocou, pelo menos até o momento, como um ser supremo,
acima do bem e do mal.
Antonio Augusto de A. e Castro
Rio
Sai caindo, é claro
Neymar perdeu o rumo.
Entrou pela porta da frente.
E sai pela porta dos fundos.
Nila Maria do Carmo Siqueira
Rio