Cosan não fará aporte na raízen, diz ceo da empresa
A Cosan não fará novos aportes de capital na Raízen e pode se desfazer de sua participação ...
A Cosan não fará novos aportes de capital na Raízen e pode se desfazer de sua participação na distribuidora de combustíveis, informou ontem o CEO da Cosan, Marcelo Martins. O executivo tratou do tema durante teleconferência de resultados da companhia. A Cosan encerrou o primeiro trimestre com prejuízo de R$ 1,6 bilhão, depois de já ter registrado perda de R$ 5,8 bilhões no fim do ano passado. Em 2025, o prejuízo chegou a R$ 9,72 bilhões.
Fruto de uma joint venture (parceria) entre Cosan e Shell, a Raízen vem negociando com credores para chegar a um acordo e evitar a necessidade de uma recuperação judicial. Com R$ 65 bilhões em dívidas, a distribuidora entrou em recuperação extrajudicial em março.
Segundo Martins, as conversas "têm evoluído", e a Cosan acompanha de perto, mas a companhia descarta aporte de capital.
" Significa basicamente que isso vai resultar numa diluição substancial da participação da Cosan. A gente não sabe ainda o tamanho exato da diluição porque tem alguns pontos ainda que estão sendo discutidos, como preço de conversão " explicou o executivo. " Mas o fato é que a Raízen vai deixar de ser um investimento relevante para a Cosan.
O CEO detalhou que a companhia de Rubens Ometto "muito provavelmente" manterá uma participação minoritária na Raízen, mas ainda avalia se as ações serão ordinárias (com direito a voto) ou preferenciais (com prioridade no recebimento de dividendos).
abaixo do esperado
Ainda assim, Martins ressaltou que "não é intenção da Cosan se manter num acordo de acionistas com a Shell":
" O que se pode esperar é que a gente tenha uma participação que pode ser vendida. Não sabemos qual é esse horizonte, nem temos ainda uma decisão concreta de que a gente vai vender.
Antes líder na produção de biocombustíveis no Brasil, a Raízen foi afetada por juros elevados, investimentos pesados que ainda não geraram retorno e desafios operacionais em suas divisões de açúcar e etanol, levando a uma série de resultados abaixo do esperado. Esses problemas corroeram seu fluxo de caixa e fizeram sua dívida disparar.
A recuperação extrajudicial da Raízen foi a maior já registrada no país, segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial.