Martes, 26 de Mayo de 2026

Futuro da farm está no centro da disputa para redivisão do azzas 2154

BrasilO Globo, Brasil 26 de mayo de 2026

Responsável por 41,5% da receita bruta do Azzas 2154 no primeiro trimestre, o maior ...

Responsável por 41,5% da receita bruta do Azzas 2154 no primeiro trimestre, o maior conglomerado de moda da América Latina, a Farm está no centro da disputa pela redivisão do grupo, após uma grave crise de gestão entre Arezzo&Co e Soma. A marca feminina carioca, porém, pode sair do divórcio litigioso em carreira solo na Bolsa, afirmam pessoas a par das negociações. O esforço de seus criadores é seguir em voo solo, segundo fontes, numa operação com ações pulverizadas no mercado.
Para que isso aconteça, estaria sobre a mesa uma redivisão do grupo em três empresas listadas em Bolsa. Uma delas reuniria a Arezzo&Co e a Hering, sem incluir a Reserva, que constituiria outra unidade juntamente com as marcas femininas que integravam o Soma. A terceira seria a Farm. A proposta é listar as três empresas, espelhando a base de acionistas atual do grupo, mantendo a participação e os direitos detidos por cada um nas novas estruturas societárias.
Seria um processo mais complexo do que uma simples repartição de marcas entre Alexandre Birman, vindo da Arezzo e CEO do grupo, e Roberto Jatahy, que liderava o Soma. Com base em um acordo de acionistas, cada um teria o direito de comprar fatias do outro nessas novas unidades.
Fontes próximas aos executivos " cujas diferenças ditas "irreconciliáveis" estão no centro da crise no Azzas "explicam haver outra justificativa para propor que a Farm seja uma unidade isolada: temores de que a marca tome o rumo da Hering, com tombo no caixa. A exigência de sucessivas promoções da marca carioca acaba afetando o posicionamento da Farm, diz fonte que prefere não se identificar.
Não é o único desfecho para o Azzas sendo debatido. Outra possibilidade seria separar a operação em duas, como antecipou reportagem do Valor Econômico. Uma delas incluiria a antiga Arezzo&Co, portanto com Hering e Reserva, mas levando também a Farm. Caberia a Birman optar por, posteriormente, fazer um IPO (abertura de capital em Bolsa) da operação internacional da marca carioca no exterior. A outra unidade teria as demais marcas do Soma.
Equilíbrio de carteiras
O nó está em obter equilíbrio de carteiras na divisão, com a Hering " que foi disputada pelos dois grupos até ser arrematada pelo Soma, em 2021 " sendo vista como "um peso, pela pouca rentabilidade".
As propostas, contudo, são aventadas no mercado, enquanto Birman, Jatahy e o próprio Azzas não comentam o caminho das negociações. Ontem à noite, o grupo divulgou comunicado reforçando que contratou o Itaú BBA como assessor financeiro para avaliar oportunidades estratégicas, que poderão envolver a companhia, suas controladas ou seus ativos. Afirmou, porém, que até o "momento, não há qualquer definição acerca da efetiva implementação de qualquer eventual operação, tampouco sobre seus potenciais termos, estrutura ou viabilidade".
O comunicado responde a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) relativos à proposta de redivisão do negócio publicada pelo Valor. E diz que "não há, no momento, qualquer decisão tomada ou operação definida relacionada aos temas objetos da notícia".
Arezzo&Co e Soma anunciaram sua fusão em fevereiro de 2024, dando origem a uma gigante de moda com 34 marcas e, quando a operação foi concluída em agosto daquele ano, avaliada em R$ 10 bilhões. Ontem, as ações do grupo fecharam com alta de 0,82%, a R$ 20,89. O valor da companhia, contudo, está em R$ 4,3 bilhões.
arbitragem em curso
Com a fusão, a Arezzo ficou com 54% do novo negócio; o Soma, com 46%. Na prática, a promessa de um casamento farto em ganhos com sinergia e vendas não se cumpriu. E a principal explicação para isso, afirmam fontes, reside em diferenças irreconciliáveis entre Birman e Jatahy.
Em abril de 2025, informações sobre um divórcio iminente entre os dois vieram a público, fazendo as ações do grupo tombarem 10%. Em meados do ano, uma espécie de acordo de paz foi selado. Não funcionou. Ao menos desde dezembro, segundo uma fonte do setor, os termos da redivisão do grupo estão sendo debatidos.
A gota d’água veio no mês passado. Ruy Kameyama, CEO de Moda e Lifestyle, pediu para deixar o cargo. Ele funcionava como um mediador entre Birman e Jatahy. Com a Reserva incluída no grupo de marcas do Rio, para captura de sinergias, Birman entendeu que poderia meter a colher nas marcas femininas. Para Jatahy, o masculino havia entrado sob seu chapéu. O executivo carioca foi à Justiça questionar o sócio. Desde então, já foi iniciado um processo de arbitragem para resolver o impasse.
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