Depois de duas copas em campo, juan trabalha pelo título como coordenador
terceiro ato
terceiro ato
Dos itens que Juan guarda com mais carinho de seu período com a camisa da seleção, um é menos previsível: um boné, dado aos atletas a cada convocação. Hoje ele não precisa mais ser convocado, serve à Amarelinha de forma permanente, como membro da comissão. Mas carrega a experiência de quem tantas vezes ganhou aquele brinde tão singelo e simbólico. Às vésperas de participar de sua terceira Copa, agora como coordenador, o ex-zagueiro já não sente mais ansiedade. Mas vive a expectativa de, assim como os jogadores, conquistar o título que falta em seu currículo.
" Quando você pergunta para a maioria dos jogadores, principalmente aqueles que não ganharam, eles trocariam qualquer coisa pela Copa do Mundo. Eu tive duas oportunidades com a seleção brasileira, que está sempre entre as favoritas. Então, é um título que sempre lamento de não ter ganho " conta ao GLOBO.
Elogios ao chefe
Ele mantém o mesmo estilo calmo e ponderado dos tempos de jogador. Até por isso, lida bem com a nova possibilidade que a vida lhe dá de participar de uma Copa. Mas, quando se depara com os torcedores nas ruas e vê todos lhe falarem a mesma coisa ("traz o hexa"), tem noção do tamanho da responsabilidade e do desafio.
" Ansioso, não. Na verdade, é um prazer, uma honra. A gente sabe que não é fácil ser titular de Copa como jogador. Mas também não é fácil disputar uma fora dos campos " reflete.
Proteger a área brasileira já não é mais sua função. Hoje suas atribuições incluem observação e análise dos jogadores durante o período em que estão com seus times, manter diálogo com os clubes para troca de informações e auxílio nos treinamentos.
Quando o técnico Carlo Ancelotti assumiu o comando, há um ano, Juan foi importante no processo de ajudá-lo a entender os processos da seleção e a conhecer os jogadores, principalmente porque o italiano já precisava fazer uma convocação. Hoje, continua dando auxílio em dúvidas pontuais sobre os atletas.
" Ele é um treinador que, no dia a dia, deixa a gente sempre tranquilo para participar e agregar. A gente fala muito sobre os jogadores, o momento deles e os jogos que a gente vê. A gente troca informações também sobre algumas dúvidas que ele possa ter sobre as características de algum atleta específico.
Apesar de ainda novo na atual carreira, Juan já tem no currículo parcerias com treinadores de peso e a fama de saber conquistar sua confiança. No Flamengo, onde ocupava o cargo de gerente, era o único membro da comissão permanente do clube que acompanhava a metodologia de trabalho de Jorge Jesus. Também lá, cativou Dorival Junior a ponto de ter sido indicado por ele para acompanhá-lo na seleção.
" Eu sempre tive muito claro na minha cabeça que eu não seria treinador " admite o ex-zagueiro, que atribui ao Flamengo sua rápida adaptação. " Queria encontrar alguma função que me preenchesse e na qual eu pudesse também estar perto do campo. Depois que voltei ao Flamengo (em 2016), comecei a acelerar os cursos e as licenças. Lá, tinha a possibilidade de encerrar a carreira como jogador e começar a trabalhar. E, no Flamengo, tudo o que você aprende nos cursos tem que duplicar para pôr em prática. Um espaço de tempo curto lá me deu uma experiência grande, porque acontecem muitas coisas.
Juan levou consigo para a seleção lições do Flamengo, assim como das Copas de que participou. Das duas eliminações (2006 e 2010), ele considera a segunda a mais doída.
" A gente fez uma Copa mais regular do que 2006, a nível de atuações. E um primeiro tempo em que tivemos domínio, jogamos bem. Praticamente em 10 minutos perdemos o controle " diz, referindo-se à derrota de virada para a Holanda. " Copa do Mundo realmente é muito curta. Tudo é muito rápido, às vezes é difícil reverter. São essas experiências que procuro trazer para os jogadores novos: que existe um momento na Copa em que seu erro tem que ser muito baixo, porque a chance de recuperação é menor.
Marquinhos no espelho
Se o título mundial escapou ali, vieram dois da Copa América (2004 e 2007) e da Copa das Confederações (2005 e 2009). Com 79 jogos pela seleção, grande parte deles ao lado de Lúcio, Juan verá de fora do campo a área brasileira ser protegida por Marquinhos e Gabriel Magalhães. E não tem dúvidas sobre em qual dos dois mais se reconhece.
" Pelo nosso biotipo, o Marquinhos se assemelha mais comigo. É menos físico do que o seu companheiro de zaga " analisa.
E é justamente Marquinhos que pode tomar uma marca até hoje pertencente a Juan com a Amarelinha. Os dois e Thiago Silva são os zagueiros com mais gols marcados pela seleção: sete. Mas o atual camisa 4 terá a Copa para se isolar.
" Torço muito para que ele ultrapasse, que esteja muito inspirado na Copa.