Ramal de bondes de santa teresa volta a operar
Após quase duas décadas paralisada, a operação do ramal Silvestre dos Bondes de Santa ...
Após quase duas décadas paralisada, a operação do ramal Silvestre dos Bondes de Santa Teresa foi retomada ontem, embora ainda em fase de testes. O serviço, que foi interrompido em 2008, está funcionando de forma limitada, com metade dos carros previstos para a linha: apenas quatro dos oito disponíveis retornaram aos trilhos, enquanto o restante permanece na oficina. De acordo com a Secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana, esse período experimental vai até julho. O objetivo é treinar os motorneiros e colher informações sobre o fluxo de passageiros, o que ajudará na definição da grade de horários.
Conexão com Corcovado
Os veículos partem do Morro dos Prazeres, na Rua Almirante Alexandrino. De acordo com a secretária estadual de Transporte e Mobilidade Urbana, Priscila Sakalem, a expectativa é que pelo menos dois bondes que estão na oficina voltem a circular e outros novos sejam adquiridos.
" Após a fase de testes, que vai até julho, queremos que dois desses bondes que estão na oficina voltem a circular o mais rápido possível. Mas isso vai depender da demanda de passageiros, que só vamos conseguir analisar após os testes. Depois desse período, conseguiremos montar a grade de horários de circulação do ramal Silvestre e, em seguida, fazer uma licitação para a compra de novos veículos.
A secretária também anunciou que está em negociação uma integração dos bondes com o Trem do Corcovado, o que vai permitir a moradores e turistas estender um eventual passeio pela cidade.
Atualmente, os moradores de Santa Teresa que possuem a carteirinha de residentes têm direito a gratuidade no transporte. Quem não tem o documento precisa comprar o tíquete na Estação da Carioca (a R$ 20). O bilhete pode ser pago em dinheiro ou cartão de crédito e débito. De acordo com a pasta, está em estudos a possibilidade de pagamento via Pix.
A retomada da operação do ramal Silvestre traz uma novidade: um dos veículos será conduzido por Marcia de Souza, a primeira motorneira na história dos Bondes de Santa Teresa.
" É uma responsabilidade muito grande, né? Mas estou muito feliz e espero poder inspirar outras mulheres " disse a pioneira.
reclamações
Os moradores do bairro pedem mais bondes para outros ramais e se queixam dos longos intervalos entre as viagens. Outra reclamação é sobre a superlotação com turistas. Em um ponto de ônibus, em frente à estação do Morro dos Prazeres, o operador de telemarketing Welligton Roberto Paulista, de 34 anos, conta que já esperou quatro horas pelo transporte:
" Eu fiquei duas horas na estação e não consegui entrar porque o bonde estava lotado de turistas. Tive que esperar mais duas horas pelo próximo. Hoje em dia, não me prendo mais ao bonde. Se estiver no ponto, ok, eu pego. Se não estiver, vou embora.
A técnica de enfermagem Tatiana da Silva, de 51 anos, também sofre com a demora e atribui o problema ao pequeno número de veículos.
" Tem pouco bonde. Isso é horrível porque eles chegam já lotados de turistas, e os moradores não conseguem utilizar o transporte " lamenta ela.
* Estagiária sob supervisão de Leila Youssef