Miércoles, 24 de Junio de 2026

Presidente do conselho da vale reage a pedido da previ

BrasilO Globo, Brasil 24 de junio de 2026

Na disputa pelo Conselho de Administração da mineradora Vale, após pedido de mudanças ...

Na disputa pelo Conselho de Administração da mineradora Vale, após pedido de mudanças feito pela Previ, fundação de previdência dos funcionários do Banco do Brasil (BB) e principal acionista da companhia, o presidente do colegiado, Daniel Stieler, acusou a entidade de "falsidade ideológica administrativa" e "abuso do direito de voto", mostram documentos divulgados ontem ao mercado.
Também ontem, a Previ dobrou a aposta na sua posição, reafirmando, em comunicado, que a substituição de Stieler como conselheiro "se insere em um processo natural de renovação" e "demandas do mercado por maior independência e robustez institucional". A entidade assumiu o compromisso de ser menos atuante na composição do Conselho para os mandatos de 2027 a 2029.
A Previ pediu a assembleia extraordinária de acionistas (AGE) para deliberar sobre a destituição de Stieler no último dia 11. Como ele preside o Conselho, a destituição implicaria sua substituição como conselheiro e a eleição de um novo presidente. Para a vaga, a Previ indicou José Mauricio Pereira Coelho " presidente da entidade de 2018 a 2021, entre os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, e que já esteve no Conselho da Vale. Para a presidência, declarou apoio à candidatura do conselheiro independente (que não tem vínculo com nenhum acionista) Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie. Na reunião de sexta, o Conselho convocou a AGE, mas se posicionou contra as mudanças pedidas pela Previ.
A ata da reunião de sexta foi divulgada ao mercado ontem, revelando a disputa entre os conselheiros " que agora deverá ser decidida no voto pelos acionistas, na AGE marcada para 22 de julho.
A reação de Stieler veio logo no encontro. Após as leituras da carta da Previ com o pedido de destituição e do parecer do Comitê de Indicação e Governança (CIG) sobre as indicações feitas, o atual presidente do Conselho leu um discurso de defesa. No texto, publicado com a ata, Stieler diz que as justificativas apresentadas pela Previ para pedir a destituição "podem ser confrontadas pelos indicadores positivos, ausência de processos e boa relação com o board (Conselho), de forma que a justificativa oficial torna-se uma falsidade ideológica administrativa".
"Destituir um gestor eficiente sob falsos pretextos pode ser interpretado como um ato que visa atender a interesses particulares do acionista em detrimento do interesse da companhia, resta configurado o abuso do direito de voto", diz a carta de defesa de Stieler, referindo-se à prática, vedada pela Lei das SA, de um acionista votar conforme seus interesses próprios, em detrimento dos da companhia.
Os "interesses particulares" da Previ são frequentemente associados à interferência do governo federal, já que a fundação de Previdência tem o comando compartilhado entre o BB e os funcionários do banco. O fato de que todos os mandatos dos conselheiros da Vale estão perto de terminar, em abril de 2027 " quando então uma nova composição será eleita em assembleia ordinária (AGO) ", alimenta questionamentos sobre os motivos da Previ.
A diretora de Participações da entidade, Adriana Chagastelles, disse anteontem ao GLOBO que a Previ já planejava a saída de Stieler desde a virada do ano e, assim como o comunicado de ontem, reafirmou a intenção de aumentar a independência da governança da Vale. O comunicado reforçou a posição ao informar que a Previ "não tem a intenção de indicar presidentes do Conselho e apoiará candidatos independentes" na AGO prevista para abril de 2027.
A aposta da Previ é que, na AGE do mês que vem, os grandes acionistas estrangeiros da mineradora apoiarão a ideia de maior independência na governança. No Conselho, a entidade ficou sozinha. Como confirmou a ata, apenas o presidente da Previ, Márcio Chiumento, que é conselheiro da Vale, votou a favor da destituição de Stieler. Nove conselheiros votaram contra o pedido. Ollie, candidato a presidente do colegiado apoiado pela Previ, e os conselheiros ligados à Bradespar, a empresa de participações do Bradesco, e ao conglomerado japonês Mitsui se abstiveram.
União após discussão
Em voto publicado com a ata, Marcelo Gasparino, vice-presidente do Conselho e agora candidato a presidente, defendeu a governança da Vale e criticou o pedido de mudanças: "propostas de destituição de conselheiros sem fundamentação consistente, especialmente sem quaisquer fatos graves, causam instabilidade institucional enorme".
Stieler e Gasparino já discutiram asperamente em reunião recente do Conselho, mas, com a movimentação da Previ, se uniram para tentar impedir as mudanças, informou ontem o colunista do GLOBO Lauro Jardim.
La Nación Argentina O Globo Brasil El Mercurio Chile
El Tiempo Colombia La Nación Costa Rica La Prensa Gráfica El Salvador
El Universal México El Comercio Perú El Nuevo Dia Puerto Rico
Listin Diario República
Dominicana
El País Uruguay El Nacional Venezuela