Gm amplia investimento para r$ 10,5 bi e focará em carro híbrido
Na mesma semana em que o governo decidiu renovar as cotas de importação para veículos ...
Na mesma semana em que o governo decidiu renovar as cotas de importação para veículos elétricos sem imposto por mais seis meses, a General Motors anunciou investimento adicional de R$ 3,5 bilhões no país até 2028 para atualizar seu portfólio de veículos, desenvolver tecnologias e ampliar a capacidade de produção, especialmente nas unidades de São Paulo. O novo aporte se soma aos R$ 7 bilhões anunciados em 2024, elevando o total previsto para o país a R$ 10,5 bilhões.
O anúncio ocorreu após um encontro entre o vice-presidente, Geraldo Alckmin, o presidente da General Motors América do Sul, Thomas Owsianski, do vice-presidente da GM América do Sul, Fabio Rua, e do diretor executivo de Engenharia de Produto da General Motors América do Sul, Ricardo Fanucchi.
Segundo o anúncio, entre os veículos novos a serem comercializados no Brasil haverá carros híbridos, e os recursos serão usados para a modernização das fábricas. A GM afirma que esses investimentos fortalecem a competitividade da indústria automotiva nacional.
visão de longo prazo
"A indústria automotiva vive um período de profunda transformação tecnológica. Este investimento amplia nossa capacidade de desenvolver e produzir veículos competitivos no Brasil, acelera a adoção de novas tecnologias e contribui para a formação de competências e empregos que serão essenciais para o futuro da mobilidade", afirmou em nota Thomas Owsianski, presidente da General Motors América do Sul.
Ele afirmou que decisões de investimento dessa magnitude exigem visão de longo prazo e um ambiente que ofereça previsibilidade, segurança jurídica e condições adequadas para a produção local.
"O Brasil reúne uma sólida base industrial, capacidade de engenharia, mercado consumidor relevante e profissionais altamente qualificados. Esses fatores, aliados a um ambiente favorável ao investimento, são fundamentais para sustentar o desenvolvimento da indústria automotiva e ampliar o papel do país como polo produtor e exportador da General Motors para a América do Sul", observou Owsianski.
No início da semana, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), da qual a GM é associada, criticou a decisão do governo de retomar a isenção de imposto para veículos CKD (totalmente desmontados) e SKD (semidesmontados), a partir de 1º julho de 2026, pelo prazo de 6 meses, em um total de cotas que soma de US$ 463 milhões. Acima das cotas, permanece o recolhimento de imposto de 35% para SKD e de 14% para CKD.
Parceria com chineses
De acordo com a Anfavea, a volta das cotas causa imprevisibilidade e pode levar montadoras a reduzir investimentos no país, importando os kits de montagem dos veículos. A medida também vai na direção contrária ao Programa Nova Indústria Brasil (NIB), que busca reindustrializar o país com novas tecnologias mais sustentáveis.
A chinesa BYD, que opera uma fábrica no sistema SKD na Bahia, foi a principal beneficiada, usando grande parte das cotas, mas outras montadoras podem usar o benefício, inclusive a própria GM. A montadora americana também monta carros pelo sistema SKD (semidesmontados), de forma terceirizada, na cidade de Horizonte, no Ceará, a cerca de 50 quilômetros de Fortaleza. Trata-se da antiga fábrica da Troller, que pertencia à Ford. A unidade agora pertence a uma trading brasileira, a Comexport, que, além da GM, busca outras marcas para a montagem terceirizada de elétricos e híbridos.
A General Motors iniciou a montagem de carros 100% elétricos no Ceará, no ano passado, sendo o Spark o primeiro modelo. O veículo é, ele mesmo, um carro chinês, fruto da parceria entre a GM e as montadoras chinesas Saic e Wuling. Ele é conhecido no país asiático como "Baojun Yep Plus".
A montagem nacional do Spark é um avanço importante da estratégia da GM de eletrificação no Brasil fortalecendo sua presença no segmento de elétricos puros, que hoje está dominado pelas marcas chinesas. A GM também começou a montar na unidade terceirizada do Ceará o Captiva EV e se prepara para montar um terceiro carro por lá até dezembro.
A indústria classificou a prorrogação das cotas como o "rompimento de um pacto" com o setor, à medida que altera o cronograma definido. E acrescentou que a decisão colocava em risco um volume de investimentos já anunciados de R$ 140 bilhões até 2030.