Bruno mazzeo: tem jogador desta seleção que o brasileiro só conheceu agora
Feliz da vida com a convincente vitória do Brasil contra a Escócia, o nosso querido Bruno ...
Feliz da vida com a convincente vitória do Brasil contra a Escócia, o nosso querido Bruno Mazzeo, carioca, 49 anos, que interpretou magistralmente Zagallo (1931-2024) na elogiada minissérie "Brasil 70: a saga do Tri", da Netflix, chama atenção para uma mudança importante de comportamento da maioria da torcida em relação a muitos craques da seleção atual, a maioria, como se sabe, morando no exterior.
Vascaíno, como o pai, Chico Anysio (1931-2012 ), o ator e roteirista lembra da identificação que tinha com os craques de antigamente " inclusive com jogadores de clubes rivais. "Eu torcia pelo Zico, pelo Júnior, pelo Sócrates, pelo Careca, pelo Falcão", conta ele a Fernanda Pontes, da turma da coluna:
"Eram jogadores que eu via atuar aqui e, de repente, estavam todos juntos na seleção. Havia uma identificação que talvez falte hoje. A maioria dos jogadores atuais não construiu sua história no Brasil. Tem alguns que eu mal conheço e que fui descobrir há pouquíssimo tempo."
A série sobre a Copa de 70, naturalmente, mexeu muito com Bruno. Ele conta que cresceu ouvindo o pai dizer que a seleção daquele Mundial foi a melhor de todos os tempos. "Meu pai falava isso, e é quase um consenso, né? Eu já tinha visto lances e videoteipes, mas nunca tinha me aprofundado nessa história", afirma o ator, que se surpreendeu "com a quantidade de camadas daquele time e de tudo o que acontecia nos bastidores".
"O Zagallo da série é diferente daquele que a gente conheceu depois: vencedor, confiante e sem ter que provar nada para ninguém", diz. Afinal, ele foi o maior vencedor de Copas do Mundo da história, com quatro títulos, dois como jogador nas Copas de 1958 e 1962, um como treinador, exatamente o do tricampeonato de 1970, e outro como coordenador técnico em 1994, na primeira Copa nos Estados Unidos. Mas, na tela, Bruno dá vida a um treinador ainda pressionado, cercado por dúvidas e obrigado a provar seu valor às vésperas do Mundial do México. Isso em plena ditadura.
Embora não tenha vivido aquele torneio, o ator guarda lembranças afetivas dos Mundiais que marcaram sua infância. "A Copa de 1982, na Espanha, eu lembro pelo cheiro da rua pintada, da mascote Laranjito. Mas a primeira que acompanhei entendendo tudo foi a de 1986", recorda o ator, ao mencionar a competição vencida pela Argentina de Maradona, que ficou historicamente marcada pelo famoso gol de mão feito pelo craque argentino, definido pelo mesmo por "La mano de Dios".
Em tempo...
Bruno Mazzeo, o herói destas linhas, também estará na próxima temporada de "Os donos do jogo", também da Netflix. Na trama, ele interpreta Renzo Saad, um dos poderosos chefões e herdeiros das famílias que disputam o controle da contravenção e do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Não custa lembrar que ele, antes de "Brasil 70" criou e dirigiu, no ano passado, a série documental para a Globoplay sobre seu próprio pai, chamada "Chico Anysio: um homem à procura de um personagem". Sem bajulação, a série abordou a vida do seu genitor, desde a sua infância no Ceará até os seus altos e baixos na carreira e na vida pessoal. Mas isso é outra história.