‘Why not us?’: mantra de pochettino guia ambição americana
Uma lista sóbria de seleções favoritas ao título mundial naturalmente não incluiria a dos ...
Uma lista sóbria de seleções favoritas ao título mundial naturalmente não incluiria a dos Estados Unidos. Mas essa descrença generalizada não impede que os americanos, historicamente autoconfiantes, encontrem uma brecha para afirmar que podem, sim, conquistar a taça. Para materializar essa esperança, eles se apegam a um bordão: "Why not US?" " por que não a gente? Ou, com direito a trocadilho, por que não os United States? A próxima oportunidade de mostrar que não se trata apenas de uma bravata será hoje, contra a Bósnia e Herzegovina, pela segunda fase, às 21h, em São Francisco.
Curiosamente, a figura que sintetiza essa mentalidade não é americana, mas argentina. O ex-zagueiro Mauricio Pochettino, anunciado há pouco menos de dois anos como treinador da seleção dos EUA, transformou seu escritório no hotel que serve de concentração para a equipe neste Mundial em um repositório de suas crenças. Na parede, além do "Why not us?" em destaque, vê-se uma série de frases motivacionais, escritas a próprio punho pelo técnico.
TALENTO DE SOBRA
São mantras de pouca sofisticação, como o que diz "quando as pessoas acreditam umas nas outras, sonhos impossíveis se tornam possíveis", e nada secretos " o próprio técnico os exibiu para um grupo de jornalistas americanos que passaram pelo escritório na semana passada para um bate-papo. E que agora ganharam aderência entre os torcedores, nas ruas e nos estádios.
Pochettino, em seu modo de ser, reúne os atributos necessários para dar verossimilhança ao bordão. Ao mesmo tempo em que exibe uma autoconfiança por vezes arrogante, reforça o discurso de que não há partida vencida de véspera e que, portanto, é preciso encarar com sobriedade mesmo os adversários mais frágeis.
" Nós não teremos uma nova oportunidade se falharmos. Este jogo é uma final de Copa do Mundo. E, se formos capazes de avançar, o jogo seguinte será outra final de Copa do Mundo. Essa precisa ser nossa mentalidade " cobra Pochettino.
O início animador da seleção americana no Mundial ajuda a alimentar as esperanças de que este time pode, sim, ir mais longe que os anteriores (já são 24 anos desde a última vez em que o país avançou para além das oitavas de final do torneio).
desafio inédito
Os EUA estrearam nesta edição com uma goleada por 4 a 1 sobre o Paraguai, na qual deram um banho de intensidade e deixaram atordoado um sistema defensivo até então sólido. Depois, fizeram 2 a 0 sem grandes dificuldades sobre a Austrália. E, ainda que a derrota por 3 a 2 para a Turquia com gol no último minuto tenha representado um encerramento amargo para a fase de grupos, ela pode ser atenuada pelo uso de reservas após a confirmação da vaga antecipada no mata-mata.
Mas, para chegar até aqui, Pochettino teve que remar. Ainda que constem em seu currículo passagens em sequência por clubes de peso como Tottenham, PSG e Chelsea, ele tem nos EUA o desafio inédito de comandar uma seleção. E, ao assumir o cargo em setembro de 2024, não imaginava que a missão seria tão complexa.
Por sorte, ele também tem em suas mãos o melhor cardápio de talentos da história americana. Além do meia Pulisic, astro do Milan, destacam-se o lateral-direito Freeman e os meio-campistas McKennie e Tillman. Se vai ser o suficiente para erguer a taça, provavelmente não. Mas por ora não custa perguntar: why not US?