Focus: mercado reduz projeção para inflação este ano
O mercado reduziu a projeção para a inflação após 15 semanas de alta e uma de estabilidade. A ...
O mercado reduziu a projeção para a inflação após 15 semanas de alta e uma de estabilidade. A estimativa saiu de 5,33% para 5,30%, de acordo com o Relatório Focus, do Banco Central, divulgado ontem.
No mercado acionário, essa leve melhora nas estimativas para a inflação contribuiu para a queda nos juros futuros, que embutem a previsão da Taxa Selic nos anos seguintes.
A mudança no Focus, ainda que pequena, reflete os últimos dados conhecidos de inflação. Na semana passada, o IGP-M de junho registrou deflação de 0,50%, graças ao recuo dos preços do petróleo aos níveis anteriores ao conflito no Oriente Médio e às boas safras do primeiro semestre.
O IPCA-15 de junho, que é a prévia do índice oficial de inflação, também ficou abaixo da mediana das previsões, de 0,41% contra 0,48%. Em 12 meses, ficou em 4,80%.
Para o economista Alexandre Chaia, do Insper, o resultado do IPCA-15 de junho é o primeiro sinal, desde o início da guerra no Irã, de que inflação estaria voltando para uma curva de convergência à meta, cujo centro é de 3%.
Já para 2027, os analistas ouvidos pelo Banco Central elevaram ligeiramente a previsão para o IPCA, de 4,17% para 4,18%.
Para o crescimento da economia, as projeções de analistas para este ano ficaram estáveis, em 1,99%. Para 2027, houve uma leve alta, de 1,68% para 1,69%.
As estimativas para a Taxa Selic e para o dólar no fim deste ano também ficaram estáveis, em 14% e R$ 5,20, respectivamente.
Ontem, a moeda americana fechou em queda de 0,7%, a R$ 5,13, o menor patamar em duas semanas e meia. O real foi a moeda com a melhor performance frente ao dólar dentre as 31 mais negociadas globalmente.
" O Boletim Focus mostrou uma revisão para baixo nas previsões de inflação, e isso tende a mostrar sinais de melhora para nossa economia. Isso aumentou o apetite ao risco no Brasil " afirmou Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.
Refletindo a melhora nas projeções para a inflação, os juros futuros recuaram. A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14% a 13,985%; para 2029, passou de 14,25% a 14,18%.
Já o barril do petróleo tipo Brent (referência internacional) com entrega para setembro cedeu 0,18%, a US$ 71,99, após a Opep+ anunciar aumento da oferta para o mês que vem.
As perspectivas positivas com os resultados de empresas de inteligência artificial animaram os mercados de Nova York e drenaram os recursos do Ibovespa, afirmou Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. O principal índice da Bolsa brasileira cedeu 0,93%, aos 172.448 pontos. Já a Nasdaq subiu 1,12%.