Menino de 5 anos morre após ataque em paraty
Um ataque a tiros transformou o domingo em tragédia numa praça em Paraty, na Costa Verde, ...
Um ataque a tiros transformou o domingo em tragédia numa praça em Paraty, na Costa Verde, balneário reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Por volta das 19h20, ao fim do jogo do Brasil pela Copa do Mundo, três homens armados abriram fogo em direção a um grupo numa área onde moradores costumam se reunir no bairro Pantanal, a 1,5 quilômetro do centro histórico. Um adolescente de 14 anos e uma menina de 4 ficaram feridos. José Heitor Dias Cerqueira, de 5 anos, também foi atingido, mas não resistiu e morreu. Segundo o relato de uma moradora, o garoto vivia em Salvador com a mãe e estava passando férias na casa do pai. No momento do ataque, ele brincava com outras crianças.
" Estava em casa com a minha família após o jogo quando ouvi cerca de 20 tiros. Desci correndo para a praça, vi o menino baleado no chão, e todo mundo em desespero. Ele mora em Salvador com a mãe, estava passando férias com o pai, e aconteceu isso. A família está inconsolável " contou uma vizinha, que preferiu não ter o nome divulgado.
Moradores em choque
Segundo ela, que vive na região há mais de 30 anos, o bairro Pantanal sempre foi considerado tranquilo. Por isso, os moradores ficaram consternados com o ataque e estão muito assustados.
" Ninguém esperava isso. Os bandidos saíram atirando, e só tinha famílias na praça. Colocaram uma TV perto da quadra para o pessoal assistir ao jogo. Tem a pracinha, o parquinho, a quadra e um quiosque. Estava todo mundo reunido ali, com as crianças brincando. Existem outros bairros de Paraty onde a gente sabe que há disputas entre criminosos, mas aqui nunca teve isso. A gente entra e sai a qualquer hora, abre a garagem de madrugada, sai de casa. Aqui não tem assalto. Você dorme com a porta e a janela abertas. É uma tranquilidade que acabou " lamentou.
A polícia recebeu informações iniciais de que o ataque foi cometido por integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP). A região é dominada pelo Comando Vermelho (CV). Segundo relatos, os homens que atiraram saíram do bairro Perequê, área vizinha sob influência do TCP. A suspeita é que os criminosos tenham aproveitado o período em que moradores assistiam ao jogo do Brasil para atacar rivais. Após o crime, a Polícia Militar reforçou o policiamento na região.
ferido sob proteção
Em depoimento, o adolescente de 14 anos, que também foi atingido, contou que estava na praça conversando com o pai da namorada quando percebeu a aproximação de um veículo. Segundo ele, três homens com os rostos cobertos desceram do carro e efetuaram disparos na direção deles.
" A filha dele estava sentada junto com esse adolescente. Ele passou, pediu para a filha ir para casa e ficou ali conversando. Foi quando os caras chegaram e abriram fogo " contou uma testemunha.
Para proteger o adolescente baleado, uma equipe da polícia foi deslocada para fazer a segurança dele no hospital onde está internado. Ainda não se sabe se ele era o alvo do ataque. A menina de 4 anos permanece em estado grave e foi transferida para uma unidade hospitalar de alta complexidade. Em nota, a Prefeitura de Paraty informou que mobilizou uma estrutura de servidores para acompanhar o caso e prestar o atendimento necessário às vítimas por meio da rede municipal de saúde e assistência social.
guerra do tráfico
De acordo com a polícia, os bairros vizinhos ao Pantanal sofrem com disputas travadas por facções. Em reportagem publicada em fevereiro deste ano, O GLOBO mostrou que Paraty, assim como a Região Metropolitana, é palco da guerra do tráfico. Na cidade, o CV ampliou a exploração de atividades econômicas nos bairros que controla. À época, havia na 167ª DP (Paraty) ao menos seis investigações sobre a exploração territorial dos traficantes. No entanto, agentes tinham dificuldades para concluí-las, principalmente pela falta de depoimentos, já que os moradores sentem medo de sofrer represálias do tráfico
No fim da noite de domingo, equipes da 2ª Companhia de Policiamento Independente de Paraty (2ª CIPM) foram até a praça, onde recolheram sete estojos de munição de pistola .380 e um de pistola calibre 9mm. Uma perícia foi realizada. A 167ª DP está à frente das investigações sobre o ataque. Segundo a Polícia Civil, "outras diligências estão em andamento para apurar os fatos".