Martes, 14 de Julio de 2026

Trabalhadores da hyundai motor fazem greve por bônus e uso de ia

BrasilO Globo, Brasil 14 de julio de 2026

Os trabalhadores da Hyundai Motor iniciaram ontem greve parcial de três dias, já que seu ...

Os trabalhadores da Hyundai Motor iniciaram ontem greve parcial de três dias, já que seu sindicato exige bônus maiores " seguindo acordos históricos firmados por empresas do setor de semicondutores " e busca garantias de que os empregos não serão substituídos por inteligência artificial (IA) e robôs.
Os funcionários da produção da maior montadora da Coreia do Sul interromperão o trabalho duas horas antes do fim do turno até quarta-feira, depois que as negociações salariais da semana passada terminaram sem acordo. Os líderes sindicais pretendem se reunir novamente na quinta-feira para discutir os próximos passos, ao mesmo tempo em que mantêm negociações reservadas com a empresa.
O principal impasse gira em torno da antiga reivindicação do sindicato de assegurar um bônus por desempenho equivalente a 30% do lucro líquido consolidado do ano anterior.
Durante décadas tratada pela empresa apenas como posição inicial de negociação, a demanda ganhou força depois que as gigantes de tecnologia do país Samsung Electronics e SK Hynix concederam bônus expressivos aos trabalhadores do setor de semicondutores, permitindo que compartilhassem os lucros gerados pelo boom da inteligência artificial.
Os trabalhadores da Hyundai Motor estão na linha de frente da automação e da ascensão de robôs humanoides. A montadora planeja iniciar o uso do robô humanoide Atlas em suas fábricas nos Estados Unidos a partir de 2028 para executar tarefas repetitivas e de alto volume, como a separação e preparação de componentes para veículos, antes de empregá-lo em operações mais complexas até 2030.
O sindicato pressiona a administração para garantir a segurança da renda dos trabalhadores por meio de negociações antes da implantação dos robôs Atlas, além da adoção de sistema de salário mensal integral, destinado a proteger a remuneração fixa contra eventual redução das horas de trabalho humano provocada pela automação.
Os trabalhadores reivindicam a elevação da idade de aposentadoria de 60 para 65 anos, permitindo permanecer mais tempo em atividade.
Perdas na produção
Além dos pagamentos já previstos, o sindicato exige o aumento dos bônus regulares de 750% para 800% do salário mensal, bem como reajuste de 149.600 wons (cerca de US$ 100) no salário-base.
Nas negociações da semana passada, a Hyundai ofereceu aumento de 89.000 wons no salário-base, um bônus por desempenho equivalente a 350% do salário, acrescido de 10 milhões de wons em parcela única e 15 ações da empresa. O sindicato rejeitou a proposta, afirmando que ela ficou abaixo das expectativas.
A paralisação pode provocar perdas superiores a 18,7 bilhões de wons por hora, segundo a agência Yonhap News. Em uma greve parcial realizada no ano passado, 16 horas de paralisações escalonadas resultaram em redução estimada da produção de 7.000 veículos, causando perdas superiores a 300 bilhões de wons em receitas, com base no preço médio dos carros.
A interrupção de três dias tem impacto significativo porque a Coreia do Sul é o principal centro logístico da rede de produção da Hyundai, respondendo por quase metade de suas vendas globais anuais. Com mais de 1 milhão de veículos produzidos no país destinados à exportação todos os anos, qualquer gargalo prolongado poderá afetar as cadeias globais de suprimentos e os estoques das concessionárias.
A Hyundai não comentou o impacto imediato da greve, mas Choi Yeong Il, chefe da produção doméstica, classificou algumas reivindicações como desproporcionais e alertou para o uso de paralisações para pressionar por uma participação maior nos lucros. "Greves anteriores não produziram nada além de perdas irreversíveis de produção, redução de salários dos trabalhadores e duras críticas de nossos clientes e do público", afirmou em comunicado.
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