Cresce influência da china sobre preços da commodity
O Estreito de Ormuz voltou a ser fechado. No entanto, se os preços nas bombas de gasolina subirão ...
O Estreito de Ormuz voltou a ser fechado. No entanto, se os preços nas bombas de gasolina subirão ou cairão dependerá não apenas da quantidade de petróleo que sai do Golfo Pérsico, mas das decisões tomadas pela China. Maior importador de petróleo do mundo, o país asiático reduziu drasticamente suas compras nos últimos meses, diminuindo a demanda a tal ponto que impediu uma disparada maior nos preços da commodity após o início da guerra no Irã.
Segundo analistas, a capacidade da China de influenciar o mercado ao aumentar ou reduzir suas compras de petróleo foi uma das maiores surpresas do conflito.
Durante décadas, eram os produtores que ditavam as cotações da commodity. Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) conseguiam provocar fortes altas nos preços, como na década de 1970, ou permitir quedas acentuadas, como em 2014.
Nos últimos anos, porém, a influência da Opep foi enfraquecida, primeiro pelo rápido crescimento da produção de petróleo nos Estados Unidos e, recentemente, pela saída dos Emirados Árabes Unidos.
" A China hoje exerce, na prática, mais poder sobre o mercado do que qualquer outro país do mundo, incluindo Arábia Saudita e Estados Unidos " afirma Gregory Brew, analista da consultoria Eurasia Group.
Agora, uma das maiores dúvidas é: quando a China voltará a aumentar suas compras de petróleo? Quanto mais tempo isso for adiado, maior tende a ser a pressão de baixa sobre os preços. O inverso também é verdadeiro: um aumento da demanda chinesa elevaria as cotações.
" O rumo da demanda chinesa é realmente a peça mais importante desse quebra-cabeça " diz Karen Young, pesquisadora sênior do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia.
Há sinais de que as importações chinesas de petróleo podem voltar a crescer em breve. A Agência Internacional de Energia (AIE) citou recentemente novas operações de compra e entregas pontuais de petroleiros como indícios de um "renovado interesse de compra por parte da China".
Fontes renováveis
Ainda assim, permanece um mistério para grande parte do mercado como a China conseguiu reduzir suas importações em quase um terço em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados de maio divulgados por Pequim.
Acredita-se que o país tenha a maior reserva estratégica de petróleo do mundo, e Pequim proibiu as exportações de derivados por suas refinarias logo no início do conflito.
Mas a China dispõe de outras alternativas, incluindo vastos recursos de carvão, e uma parcela significativa da eletricidade do país vem de fontes renováveis. O país detém o maior mercado mundial de veículos elétricos e possui a maior rede ferroviária de alta velocidade do planeta, fatores que reduzem o consumo de combustíveis fósseis.
Segundo a AIE, este deverá ser o primeiro ano desde as crises do petróleo das décadas de 1970 e início dos anos 1980 em que o consumo chinês de petróleo registrará uma queda significativa.