O primeiro bilhão da leve, plano de saúde ‘sênior’
No momento em que o mercado de planos de saúde desacelera após salto no pós-pandemia e as ...
No momento em que o mercado de planos de saúde desacelera após salto no pós-pandemia e as maiores operadoras jogam um "rouba-monte" de vidas, grupos emergentes crescem explorando segmentos desassistidos. Fundada em 2020 por um ex-CEO da Assim que foi diretor do Pátria Investimentos, a Leve Saúde acaba de atingir R$ 1 bilhão em receita anualizada, com foco em planos individuais para quem tem mais de 45 anos e funcionários de PMEs (pequenas e médias empresas). Agora, a companhia de Ulisses Silva está expandindo sua área de atuação " tanto na geografia quanto na segmentação " para aumentar sua artilharia na disputa com as pioneiras do seu nicho, Prevent Senior e MedSênior.
Fundada no Rio, a Leve operava até o mês passado apenas na cidade natal, onde chegou a 118 mil clientes, um crescimento de mais de 30% em um ano. (A empresa tem ainda 60 mil vidas em um plano odontológico.) No fim de junho, passou a vender planos também em Curitiba " o fundador é paranaense " e prepara a chegada a cidades do Sul Fluminense no próximo mês. Em paralelo, a operadora está gestando uma ofensiva na classe C " chegou a contratar uma antropóloga para estudar esse paciente ", mirando mensalidades abaixo de R$ 300, menos da metade da média de sua carteira hoje.
" O produto vai obedecer à lógica de rede própria e uso de tecnologia para buscar eficiência. Vamos colocar esse plano no mercado no início de 2027 " conta Silva.
Embora também recorram a hospitais credenciados, a rede própria é central para a estratégia da Leve e de suas concorrentes. A ideia é "verticalizar" a operação para compensar a pressão de custos que um público mais velho representa. No caso da Leve, a companhia tem 15 clínicas e uma base para tratamento oncológico " com exceção da clínica em Curitiba, todas são no Rio. A expectativa é terminar o ano com 18 e começar a operar também hospitais completos.
Segundo Silva, a Leve está em tratativas finais para comprar o hospital Albert Sabin, unidade com 108 leitos na Tijuca, Zona Norte. A transação, em leilão judicial, é de R$ 44,7 milhões, além de R$ 30 milhões em investimentos.
" Dependemos ainda da homologação do juiz. Esperamos que até setembro tudo esteja concluído. Será nosso primeiro hospital. E estamos em negociações para comprar um segundo hospital, também na Zona Norte " explica o CEO, que tem 50% do negócio.
Assim como no caso de algumas de suas rivais, a aposta na verticalização tem proporcionado taxas de sinistralidade (relação entre receita e custos médicos) menores que as do setor. A da Leve está em 62%, contra uma média de 80% entre todas as operadoras. Mas a da concorrente MedSênior está em 50%, embora 77% de seus 293 mil clientes sejam idosos. Na Leve, com seus planos de PME, a taxa de idosos é de 35%, com uma idade média de 46,9 anos. No setor como um todo, apenas 15,5% das vidas são de idosos, com uma idade média de 37 anos.
" Nossa sinistralidade é adequada, mas a ideia é trazê-la a 55%. Esses números e os da MedSênior, hoje a operadora com a melhor taxa de rentabilidade do mercado, mostram que esse negócio para em pé. Eu, sinceramente, temia que não desse certo. Setor altamente regulado, mercado do Rio e seus problemas, pessoa física, eu mesmo com quase 60 anos… É algo do qual todos querem fugir, mas tem funcionado, porque, depois da casa própria, saúde é o principal anseio da sociedade " observa.
A Leve fechou 2025 com R$ 662 milhões em receitas, alta de 75%. Este ano, Silva projeta fechar com mais de R$ 1,1 bilhão.
O desafio é que as rivais têm mais musculatura. A Prevent Senior gera R$ 7,2 bilhões em receitas. A MedSênior fechou o ano passado com R$ 3,1 bilhões e tem entre seus investidores o Temasek, fundo soberano de Cingapura.
No ano passado, o Valor Econômico publicou que a Leve buscava um aporte entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões, mas a transação não se concretizou.
" Fizemos um ensaio no ano passado para captar, mas não aconteceu. Optamos por levantar R$ 120 milhões por meio de um fundo de direitos creditórios. Hoje, não estamos à procura de um sócio-investidor, mas também não estamos fechados, porque a demanda do mercado continuará grande " conclui.