Ipca-15 cai para 0,06% em julho puxado por alimentos
O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, desacelerou de 0,41% em maio para ...
O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, desacelerou de 0,41% em maio para 0,06% em julho, o menor nível para o mês desde 2023 e abaixo da projeção dos analistas, de 0,22%. O índice acumula alta de 3,51% no ano e de 4,52% em 12 meses, abaixo dos 4,80% da pesquisa anterior e bem perto do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para o IPCA. O grupo responsável por puxar o resultado para baixo este mês foi o dos alimentos.
A alimentação no domicílio teve deflação de 1,14% em julho, refletindo quedas nos preços do tomate (-19,95%), da batata inglesa (-10,03%), do café moído (-3,13%) e das carnes (-0,34%). Já no lado das altas ficaram a cebola (7,10%) e o pão francês (0,65%).
COMBUSTÍVEIS EM BAIXA
O índice só não veio com deflação por conta da energia elétrica, que subiu 3,03%. A alta é explicada pela vigência da bandeira tarifária amarela, com a cobrança adicional de R$ 1,885 para cada 100 KWh consumidos, além de reajustes tarifários em Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.
Também teve alta o grupo de saúde e cuidados pessoais (0,28%), com os preços dos produtos de higiene pessoal subindo. O perfume, por exemplo, teve alta de 1,74%. O plano de saúde também contribuiu para o resultado subindo 0,42%, após reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Embora o grupo de transportes tenha subido em relação ao mês anterior, com alta de 11,70% da passagem aérea, os combustíveis caíram 0,90%: etanol (-2,50%), óleo diesel (-1,32%), gás veicular (-0,97%) e gasolina (-0,68%).
Para Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, o índice pode ficar próximo de zero ou registrar deflação em agosto, devido aos efeitos do bônus de Itaipu na energia elétrica. No entanto, o El Niño deve começar a impactar a inflação, inclusive nos alimentos, entre o final do terceiro trimestre e o início do quarto trimestre.
"De qualquer maneira, devido ao comportamento mais benigno do que o esperado nos alimentos nesta altura do ano, reduzimos a nossa projeção para o IPCA de 2026, de 5,30% para 5,10%", disse o economista em análise. Segundo ele, é "praticamente certo" que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual na reunião da próxima semana, de 14,25% para 14%.
Para Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Group, o corte da próxima reunião deve ser de 0,25 ponto percentual, com possibilidade de mais reduções de juros nas reuniões seguintes. Ele acredita que a inflação deve encerrar o ano em torno de 4,5%:
" O IPCA-15 está sendo influenciado pela queda do petróleo, que caiu abaixo de US$ 80. Mais recentemente ele subiu, mas estando abaixo de US$ 90 continua sendo benigno para a inflação. E o petróleo tem uma relação grande com toda a cadeia produtiva, tanto de bens quanto de serviços transportados, o que causa uma série de efeitos em cascata da queda ou alta do seu preço sobre vários itens .
Matheus Pizzani, do PicPay, avalia que o maior impacto do El Niño deve ser no início de 2027:
" O principal risco de alta advém do clima, com a escassez de chuvas podendo gerar redução acelerada dos reservatórios de água e necessidade de acionamento de bandeiras com patamares mais elevados, encarecendo o preço da energia elétrica.
Pizzani projeta que o IPCA de 2026 será de 4,7%:
" Para o decorrer do ano, esperamos que a inflação se comporte de maneira relativamente alinhada ao padrão histórico nos próximos meses, beneficiada pelo maior equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico, câmbio relativamente dentro de um intervalo de variação moderado e ausência de choques vindos do cenário externo.
19,95%
Foi a queda no preço do tomate em julho
Baixa ajudou grupo Alimentação no Domicílio a registrar deflação de 1,14% no mês
4,52%
É o IPCA-15 acumulado nos últimos 12 meses
Percentual está pouco acima do teto da meta estabelecida para o IPCA em 2026, de 4,5%