Hapvida relançará marca notredame como plano de saúde ‘premium’
Quatro anos após a fusão com a NotreDame Intermédica, a Hapvida vai relançar a marca ...
Quatro anos após a fusão com a NotreDame Intermédica, a Hapvida vai relançar a marca NotreDame para avançar no segmento de planos de saúde premium, com foco nos usuários de alta renda. A oferta dos contratos começa em agosto e ocorre em meio a um momento delicado da operadora.
Cerca de 136 mil usuários deixaram o plano no último ano, devido, principalmente, a problemas de cobertura e reembolso. Dados analisados pelo Itaú BBA mostram que a operadora registrou em junho um índice geral de reclamações (IGR) de 49,2, alta de 53% em relação a igual período do ano passado. Além disso, a companhia perdeu cerca de R$ 10,8 bilhões em valor de mercado nos últimos 12 meses, encolhendo de R$ 16,1 bilhões para R$ 5,3 bilhões " uma desvalorização de 66,9%.
Apesar do recuo na carteira, a Hapvida é a maior operadora do país em número de usuários. São 8,5 milhões de clientes, mas apenas cerca de 350 mil estão em contratos premium.
Agora, esses usuários serão transferidos para a nova marca NotreDame Saúde. Além dos hospitais próprios da companhia, eles terão acesso a unidades fora da estrutura verticalizada do grupo, como Einstein, Sírio-Libanês, HCor e Beneficência Portuguesa.
Os benefícios também incluem serviços exclusivos, como concierge privativo e liberação mais célere de procedimentos e reembolsos, detalha o CEO da companhia, Luccas Adib:
" Esse lançamento é importante porque esse segmento já estava dentro da companhia, mas não estava sendo usado na sua potencialidade.
Os contratos serão apenas coletivos empresariais (abrangendo desde pequenas até grandes empresas) e por adesão, com valores que variam de R$ 500 a R$ 1,5 mil.
" Não estamos brigando lá no último degrau e cobrando um valor absurdo para dar uma experiência premium. Um valor de R$ 500 gera uma acessibilidade interessante, tanto para o usuário ultrapremium até para aquele que está no meio da pirâmide e para aquele que só pode pagar um produto mais de entrada " argumenta Adib.
Perda de beneficiários
A oferta dos contratos começa por São Paulo e não deve ser estendida para todo o país, apenas para regiões em que a companhia não tem tanta capilaridade.
O plano deve chegar ao Rio em alguns meses, segundo Adib. A capital fluminense, porém, tem um desafio adicional em relação a São Paulo para a construção de uma rede credenciada além das unidades próprias, dada a concentração dos hospitais fluminenses em poucos grupos.
" O Rio é um pouquinho mais concentrado, então tem ali um viés que gera uma complexidade adicional para termos uma rede de referência, mas já temos conversas bem encaminhadas " explica Adib.
Às vésperas da divulgação dos resultados da companhia no segundo trimestre, o mercado financeiro já traça cenários. Em relatório recente, o analista Vinicius Figueiredo, do Itaú BBA, destacou que as iniciativas de otimização do portfólio da companhia "ainda são recentes demais" para um crescimento na receita da empresa, que também enfrenta a concorrência, o que acaba "resultando em mais um trimestre de perda líquida de beneficiários", diz o documento.
Para o CEO da Hapvida, o investimento no segmento premium é uma das mudanças de portfólio que a companhia tem feito para melhorar os resultados:
" O momento da empresa é interessante. Perdemos vidas aqui e ali, e isso não é irrelevante, mas faz parte da trajetória. Estamos fazendo um trabalho de aperfeiçoamento de carteira. Os temas que têm sido questionados pelo mercado não vão se resolver do dia para a noite. O trabalho é de longo prazo, e esperamos capturar os resultados nos próximos trimestres.
A disputa pelos clientes de alta renda tem se acirrado na saúde privada. Operadoras e também hospitais e laboratórios têm oferecido mimos e atendimentos exclusivos para fisgar esse público, que é menos sensível a preços.
Uma das apostas recentes foi da Amil. Na expansão da base de clientes " 11% no último ano " a operadora tem focado nos pacientes de alta renda e inaugurou andar exclusivo no Sírio-Libanês, em São Paulo. O espaço, de mil metros quadrados, tem 24 leitos para pacientes que requerem cuidado não crítico.