Hapvida reajustará planos em ‘duplo dígito’
Depois de registrar um lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões no segundo semestre, ...
Depois de registrar um lucro líquido ajustado de R$ 12,5 milhões no segundo semestre, 95,8% abaixo do apurado no mesmo período do ano passado, a Hapvida planeja reajustar em percentuais de dois dígitos ou até mesmo cancelar contratos de quase 1 milhão de consumidores nos próximos meses. Após a divulgação dos resultados, as ações da empresa desabaram 33,09% na Bolsa, a R$ 6,41. A empresa viu evaporar R$ 1,59 bilhão em seu valor de mercado, saindo de R$ 4,81 bilhões na quarta-feira para R$ 3,22 bilhões ontem.
A decisão foi informada pelo CEO da operadora, Luccas Adib, ontem, durante teleconferência dos resultados financeiros da companhia com analistas e investidores do mercado.
Apesar de registrar um desembarque relevante de usuários, a Hapvida é a maior operadora do país, com 8,5 milhões de clientes. Os 947 mil contratos em avaliação para reajuste ou rescisão são principalmente coletivos e equivalem a 12% dos contratos do tipo na carteira da companhia.
Segundo a operadora, as medidas são necessárias porque as carteiras ou estão inadimplentes ou têm mensalidades "muito abaixo" da média da empresa e da concorrência na região onde estão localizadas.
Desse modo, a operadora deve cobrar faturas em atraso e reajustar os convênios em "duplo dígito forte", detalhou Lucas Garrido, vice-presidente financeiro da Hapvida.
Rescisão unilateral
No último caso, os consumidores podem ter o convênio cancelado, sempre na data de aniversário do contrato.
" Parte dessas vidas pode ser descontinuada se não conseguirmos aplicar os aumentos necessários ou cobrar as faturas em atraso. Em qualquer caso, seja na saída ou na permanência, esse movimento será positivo para o caixa da companhia " justificou o vice-presidente financeiro.
A rescisão unilateral de contrato coletivo pela operadora " seja ele por adesão ou empresarial " é permitida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), mas o consumidor (ou a empresa contratante do plano, no caso dos convênios empresariais) deve ser sempre notificado antes do cancelamento.
Se os usuários estiverem internados, o atendimento deve ser garantido até o fim do tratamento.
Já no caso dos planos individuais, a rescisão só é autorizada em caso de fraude ou inadimplência, e, mesmo assim, se for cumprido um conjunto de regras.
Em 2024, um aumento expressivo no número de rescisões unilaterais de planos coletivos por "desequilíbrio econômico-financeiro" das operadoras fez a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão do Ministério da Justiça, notificar empresas do setor a prestarem esclarecimentos. Além disso, consumidores foram à Justiça por causa da suspensão dos convênios.
O CEO da Hapvida, porém, não teme uma possível judicialização com a decisão da companhia de suspender contratos em desequilíbrio:
" Do ponto de vista jurídico, esse trabalho está superancorado nas regras contratuais e nos predicados legais e regulatórios. Não vemos riscos jurídicos.
Menos 136 mil clientes
Cerca de 136 mil usuários deixaram o plano no último ano, devido, principalmente, a problemas de cobertura e reembolso. Dados analisados pelo Itaú BBA mostraram que a operadora registrou, em junho, um índice geral de reclamações (IGR) de 49,2, um crescimento de 53% em relação a igual período do ano passado.