"Não me entrego, não"
Acredite. Um em cada cinco homens entre 70 e 79 anos está no nosso mercado de trabalho, ...
Acredite. Um em cada cinco homens entre 70 e 79 anos está no nosso mercado de trabalho, algo como 20%. Entre as mulheres, esse percentual baixa para 8,8%. Incluindo os que continuam trabalhando depois dos 60 e até 79 anos, a renda mensal adicionada à economia brasileira, em 2024, foi de cerca de R$ 89 bilhões. E mais: o rendimento médio do trabalho desse grupo populacional foi 1,17 vez mais elevado do que o rendimento da população total.
Ana Amélia Camarano, economista do Ipea e grande estudiosa da velhice, encara esses dados "como um ativo econômico, o que pode aumentar a produtividade agregada, a sustentabilidade previdenciária e a autonomia financeira desse público". Para ela, as "transformações recentes no mercado de trabalho têm reduzido a participação de ocupações manuais, ao mesmo tempo em que ampliaram a demanda por atividades intensivas em experiência, conhecimento tácito e competências socioemocionais, dimensões essas nas quais os trabalhadores mais velhos podem apresentar vantagens comparativas".
Não que não existam, segue Ana, obstáculos importantes a esses trabalhadores de cabelo branco ou mesmo calvos. Ela destaca três vicissitudes: a defasagem em competências digitais, limitações de saúde e também o idadismo " uma forma de discriminação baseada na idade. De qualquer forma, como diria Othon Bastos, aos 93 anos, "eu não me entrego, não".
Em tempo: Entre os homens de 80 anos e mais, 8,1% ainda estão no mercado de trabalho. É o caso, entre outros notáveis e por ordem alfabética, deste quinteto de ouro da MPB: Caetano Veloso (84), Chico Buarque (82), Gilberto Gil (84), Martinho da Vila (88) e Paulinho da Viola (83).