Câmeras da gabriel preparam uma ofensiva geográfica
Onipresentes nas fachadas dos prédios das classes média e alta do Sudeste, as câmeras de ...
Onipresentes nas fachadas dos prédios das classes média e alta do Sudeste, as câmeras de segurança da Gabriel se preparam para dar um salto geográfico. Operando em apenas cinco cidades hoje " Rio, Niterói, São Paulo, Belo Horizonte e Vitória ", a companhia vai passar a atuar em 40 municípios, entrando no restante das regiões metropolitanas dessas capitais. O plano é explorar da Baixada Fluminense ao Grande ABC, de Nova Lima (MG) a Vila Velha (ES), conta o cofundador e CEO Erick Coser:
" No começo, nossa estratégia de crescimento era do tipo cebola, que busca ampliação em círculos. No caso do Rio, por onde iniciamos a operação em 2020, primeiro nos concentramos no Leblon. Depois, fomos para o restante da Zona Sul e só em 2023 chegamos à Zona Norte. Hoje, estamos em toda a capital e acreditamos que já temos um nível de densidade suficiente para dar esse salto de cobertura " diz.
A expansão faz parte do plano da Gabriel para elevar as receitas em 50% este ano " a companhia não abre a cifra " e surge depois de ela captar R$ 25 milhões com uma dívida estruturada investida pela Itaú Asset. Antes, a Gabriel tinha captado R$ 140 milhões junto a fundos.
Hoje, a Gabriel tem 21 mil câmeras instaladas em 8 mil prédios. Para atrair clientes, um dos seus trunfos é o argumento do efeito de rede. Diferentemente de câmeras tradicionais, cujas gravações costumam ficar guardadas em um equipamento físico restrito a um único condomínio, todas as imagens geradas pela Gabriel ficam em uma mesma nuvem, permitindo a recuperação de imagens com mais facilidade e o acompanhamento do trajeto dos criminosos por vários bairros. Segundo Coser, a Gabriel já chegou a fornecer à polícia imagens de 101 câmeras em três cidades diferentes para a investigação de um único crime.
A integração com forças de segurança é outro argumento de venda. Atualmente, todos os dias, diz o CEO, suas câmeras analisam 4 milhões de placas de veículos e encontram 2 mil carros roubados ou utilizados em crimes.
" Vendemos para o prédio com a promessa de integrar as informações com o poder público. No Rio, quando um carro roubado passa por uma câmera, emitimos um alerta automático em 15 segundos para o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). Em São Paulo, calculamos que, quando as imagens das câmeras estão envolvidas, o percentual de investigações de roubo e furto que conseguem um indiciamento sobe de 2% para 14% " sustenta Coser, que teve como um dos cofundadores da Gabriel o atual prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, que saiu da empresa em 2020.
O executivo argumenta que o surgimento de programas públicos de monitoramento por câmeras, como o Smart Sampa, amplia o apelo da Gabriel como uma infraestrutura privada que complementa a do poder público.
" Na nova fase de crescimento, apostamos muito em plugar nossa plataforma a iniciativas públicas, como fazemos no Rio e no Smart Sampa. Outra estratégia é a migração para um modelo de venda remota. Até então, a gente tinha um modelo inspirado na Stone, cujo fundador, André Street, é nosso investidor. Era voltado para a venda de porta em porta " explica.