Compra da serra verde pode sair nesta semana
A empresa americana USA Rare Earth está mais perto de comprar a Serra Verde, única mineradora de ...
A empresa americana USA Rare Earth está mais perto de comprar a Serra Verde, única mineradora de terras-raras em operação no Brasil. A companhia informou ontem que finalizou a estrutura de financiamento necessária para fechar a operação, e a expectativa é concluí-la esta semana. O negócio depende da aprovação dos acionistas, em uma assembleia marcada para sexta-feira.
A estrutura foi capitalizada em US$ 1,55 bilhão (R$ 7,7 bilhões). Desse total, US$ 750 milhões (R$ 3,8 bilhões) vieram do governo dos Estados Unidos, por meio do Departamento de Guerra. O valor é US$ 250 milhões (R$ 1,2 bilhão) superior aos US$ 500 milhões previstos inicialmente.
Além do aporte do governo americano, a estrutura conta com uma linha de crédito de até US$ 500 milhões de um banco institucional. A Casa Branca também firmou um contrato para comprar pelo menos US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) em produtos de terras-raras ao longo de cinco anos.
"Agradecemos o apoio estratégico e o compromisso ampliado de financiamento do governo dos Estados Unidos e temos orgulho de dar continuidade a nossa sólida parceria para construir uma cadeia de suprimento de terras-raras segura e resiliente", afirmou Michael Blitzer, presidente executivo da USA Rare Earth, em comunicado.
Mais de US$ 1 bi
A operação não significa que o governo americano esteja comprando a Serra Verde. A mineradora será adquirida pela USA Rare Earth. Os EUA participam da estrutura financeira criada para viabilizar o negócio, além de terem se comprometido a comprar parte da produção.
Segundo o executivo, já foram investidos mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) na Serra Verde. A companhia afirma ter um dos projetos de minerais críticos mais avançados do mundo e ser a única produtora comercial fora da Ásia dos quatro elementos de terras-raras magnéticos.
A conclusão da aquisição ainda depende do cumprimento das demais condições previstas no acordo, além da aprovação dos acionistas da USA Rare Earth na assembleia especial marcada para sexta-feira. A companhia espera fechar a operação logo após a reunião.
Com a conclusão do negócio, a USA Rare Earth passará a controlar a mina Pela Ema, em Goiás. A produção brasileira será integrada a uma cadeia de terras-raras que inclui operações de processamento e fabricação de ímãs nos EUA e no Reino Unido.
"A Serra Verde agora pode começar a fornecer esses materiais críticos ao mercado americano", afirmou Blitzer no comunicado.
Diversificação da cadeia
As terras-raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em produtos de alta tecnologia. Alguns deles são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa.
A aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth se insere nesse movimento de diversificação da cadeia de suprimentos. A China domina a cadeia global do setor, especialmente as etapas de processamento e refino, o que levou Estados Unidos e outros países a buscar fornecedores alternativos.
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras-raras do mundo, segundo o Ministério de Minas e Energia, concentrando 25% do total global.