Nova ia chinesa surpreende ao funcionar sem chips da nvidia
A China fez de novo: nesta semana, outra startup do país revelou um modelo de inteligência ...
A China fez de novo: nesta semana, outra startup do país revelou um modelo de inteligência artificial (IA) de baixíssimo custo e alta performance " desta vez, trata-se do GLM 5.3 Flash, da Z.ai (conhecida em sua terra natal como Zhipu). O que chama a atenção é que o modelo rodou apenas com chips chineses, o que pode representar um novo ponto de inflexão para o avanço do país na corrida da IA.
O lançamento do modelo foi cercado de mistério. No fim de semana passado, a IA apareceu na plataforma OpenRouter sob o nome Ox Alpha e sem qualquer afiliação oficial. Rapidamente, ganhou popularidade na plataforma, que é usada por programadores para testar e escolher diferentes IAs. Em três dias, o Ox Alpha processou 11 trilhões de tokens (os pedaços de palavras lidos e gerados por IAs), a maior estreia da história do OpenRouter.
" Ele é um ótimo executor de engenharia, entregando código limpo e decisões de arquitetura tomadas anteriormente. E melhorou muito na parte visual, fugindo do óbvio. Além disso, usa muito bem a cota de tokens " explica Leo Candido, AI First Transformation Manager na Artefact.
No índice da Artificial Analysis, o modelo apareceu no top 10 global, com desempenho próximo de conterrâneos como o Kimi K3 e o Qwen 3.8 Max. Na última quarta-feira, a Z.ai revelou que o Ox Alpha era o GLM 5.3 Flash, pondo fim às especulações. Em seu blog, a startup disse que o modelo tem performance semelhante ao Claude Opus 4.8, da Anthropic.
Como outros modelos chineses, o GLM 5.3 Flash tem uma política de preços bastante agressiva. Nos preços cheios de tabela, custa US$ 0,15 por milhão de tokens de entrada (caracteres dos comandos enviados ao sistema) e US$ 0,50 por milhão de tokens de saída (caracteres gerados pelo sistema). O DeepSeek V4 Flash, mais barato do mercado até aqui, custa US$ 0,22 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,66 por milhão de tokens de saída.
Chips chineses
Ao revelar que o modelo era seu, a Z.ai surpreendeu ao afirmar que, nos testes, usou apenas chips chineses para gerar as respostas, o que pode significar um ponto de inflexão para as empresas do país, que ainda dependem dos produtos da americana Nvidia.
" Nunca mais o mundo será igual. As sanções de Donald Trump empurraram as empresas chinesas para o desenvolvimento de tecnologia própria. Muitas companhias americanas também estão adotando as IAs chinesas. O GLM 5.3 Flash já apresenta o melhor custo de inteligência do mercado " diz Anderson Amaral, fundador da Scoras, startup que produz agentes e qualifica profissionais da área.
Para contornar limitações de memória, a Z.ai usou 100 mil chips chineses, orquestrados por um agente de IA da companhia, que direcionava as informações e driblava gargalos no sistema. Segundo a empresa, a arquitetura foi usada durante o estágio de inferência, quando o modelo dá respostas " não houve menção sobre a fase de treinamento, cuja demanda computacional pode ser mais intensiva.
A Z.ai informou que, na fase de inferência, obteve desempenho equivalente ao dos chips da Nvidia. A companhia não revelou a fabricante dos componentes, mas, no passado, já trabalhou com Huawei, Cambricon e Moore Threads. A empresa concluiu com uma frase para tirar o sono dos americanos:
"Isso demonstra que os chips chineses podem suportar inferência de modelos de ponta de forma eficiente e econômica em grande escala."