Legado olímpico ainda impacta mercado do rio
Dez anos depois de receber os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o Rio continua sentindo o impacto ...
Dez anos depois de receber os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o Rio continua sentindo o impacto econômico do evento em suas contas. Um levantamento da FGV Conhecimento, que considera projetos concluídos para 2016 e aqueles desenvolvidos ou ampliados posteriormente, calcula em R$ 99 bilhões os efeitos sobre o Valor Bruto da Produção (VBP) do município.
Desse total, R$ 88 bilhões foram movimentados no período olímpico e outros R$ 11 bilhões vieram de projetos que avançaram depois dos Jogos. O legado inclui ainda 465 mil empregos diretos e indiretos e uma transformação urbana impulsionada por mais de R$ 39 bilhões de investimentos em áreas como mobilidade, requalificação urbana e ampliação da rede hoteleira.
Parte da estrutura erguida para os Jogos deixou de ter função temporária e passou a integrar o estoque residencial e hoteleiro da cidade. Em 2016, o Rio chegou a ter 62 mil quartos em hotéis. Hoje, são 44 mil, e muitos deles foram convertidos em apartamentos.
O caso mais emblemático dessa conversão de equipamento olímpico em residencial é o da própria Vila dos Atletas, hoje o bairro planejado Ilha Pura, na Barra Olímpica. No total, a Carvalho Hosken construiu 3.604 apartamentos distribuídos em 31 torres de 17 andares, organizados em sete condomínios independentes.
Em 2024, o BTG assumiu o complexo por onde passaram atletas como o nadador norte-americano Michael Phelps, que conquistou seis medalhas nas Olimpíadas de 2016, e a brasileira Rafaela Silva, que conquistou seu primeiro ouro olímpico nos Jogos do Rio.
" Até os moradores menos ligados ao esporte re conhecem o valor simbólico dessa história e comentam sobre a experiência de ocupar os mesmos edifícios e utilizar espaços que fizeram parte da rotina das delegações durante os Jogos " comenta a head de Incorporação e Sustentabilidade do Ilha Pura, Talitha Ribeiro.
Ela acrescenta que a memória olímpica também se reflete na vocação esportiva do bairro, já que o Ilha Pura oferece diferentes equipamentos e espaços para a prática de atividades físicas a poucos passos de casa.
A Barra Olímpica ganhou status de bairro em maio de 2024, por meio de um decreto municipal que reconheceu o desenvolvimento da região como legado dos Jogos. É por ali que a Calper constrói outro bairro planejado, o Cidade Arte, embora sua história com as Olimpíadas tenha começado muito antes.
Em 2016, o residencial Frames, no Pontal Oceânico, serviu de acomodação para jornalistas estrangeiros graças a um acordo com o Comitê Organizador Rio 2016. Os compradores finais já sabiam que receberiam os imóveis somente depois das Olimpíadas. O empreendimento até hoje usa como referência o fato de ter sido a Vila de Mídia na Olimpíada.
" Durante a divulgação, peças institucionais e apresentações do lançamento destacavam explicitamente que o prédio recebeu jornalistas internacionais durante os Jogos e usavam esse fato como argumento de valorização e prestígio do empreendimento, citando os exemplos pós-olímpicos de Barcelona (1992), Pequim (2008) e Londres (2012) como cases de referência " conta a arquiteta do Cidade Arte, Niceli Maini.
Outro reflexo daquele período aparece na transformação de parte da estrutura hoteleira da cidade. O antigo Hotel Mercure, em Botafogo, ganhou nova destinação e foi transformado no Botafogo Privilege Lobie, residencial com serviços. Segundo o CEO da Lobie, Ernesto Otero, foram mais de cinco anos de prejuízos até o empreendimento ressurgir com uma nova vocação.
" O hotel hoje tem mais de 80% de ocupação, com diárias a partir de R$ 280 e mensalidades de R$ 5,8 mil. Para os investidores, o rendimento é de 13,56% ao ano. Isso mostra como um ativo concebido para atender à demanda dos Jogos Olímpicos ganhou uma bem-sucedida vocação nova depois do evento " observa.