Centro ganha novos gigantes de moradia
O Centro do Rio vive um movimento de recuperação depois de anos de esvaziamento provocado ...
O Centro do Rio vive um movimento de recuperação depois de anos de esvaziamento provocado pela pandemia e pela adesão ao home office. No segundo trimestre deste ano, a região voltou a liderar a absorção líquida de escritórios na cidade, com cerca de 11 mil metros quadrados de novas ocupações, superando a Barra da Tijuca e o eixo Flamengo/Glória.
Empresas como o Nubank, que ocupou o edifício Vista Mauá, e a Dataprev, que se muda para o Ventura Corporate, ajudaram a puxar essa retomada, assim como a instalação de um hospital da Hapvida em um antigo imóvel corporativo. O fluxo extra de trabalhadores já se reflete no comércio, nos restaurantes e nos serviços do entorno, sinal de que a reocupação corporativa também aquece a economia de rua da região.
Se o mercado corporativo vai bem, o residencial também começa a dar o ar da graça, em especial no eixo da Avenida Rio Branco. Aqui e ali já vinham surgindo alguns retrofits e projetos menores. Agora, três grandes residenciais " que juntos somam 1.848 unidades " prometem turbinar a retomada da região central da cidade. Esses gigantes miram não apenas o consumidor final, mas também os investidores que enxergam o Centro do Rio como um lugar cheio de predicados para quem quer passar férias: mobilidade, comércio e serviços fartos, atrações culturais e pontos turísticos.
Mas tirar do papel empreendimentos dessa escala naquela região da cidade é um desafio. Com ocupação urbana consolidada e pouca oferta de grandes terrenos, o Centro oferece raras oportunidades para projetos de centenas de unidades. Uma delas foi aproveitada pela Patrimar, que desenvolveu o Connect Square, na Avenida Graça Aranha, com 624 estúdios e apartamentos de um e dois quartos.
" Diferentemente do Porto Maravilha, que tem grandes áreas disponíveis para novos projetos, o Centro tem uma ocupação urbana consolidada, com muitos lotes pequenos e edifícios construídos praticamente nas divisas. Isso limita bastante a implantação de empreendimentos de grande porte " afirma o diretor da Patrimar no Rio de Janeiro, Paulo Araújo.
A Canopus seguiu o mesmo raciocínio ao investir no Q Studios, na Rua da Quitanda, onde encontrou um terreno grande o suficiente para projetar um residencial de 24 andares com 344 unidades. O empreendimento foi viabilizado por uma combinação de fatores: a ampliação da oferta residencial na região, novos projetos de revitalização urbana e uma demanda crescente de moradias perto do trabalho e com transporte público e infraestrutura consolidada.
" Quando levamos pessoas para morar em uma área historicamente ocupada por estabelecimentos comerciais e escritórios, mudamos a dinâmica do entorno, aumentando a circulação em diferentes horários, criando demanda para restaurantes, serviços e conveniência e tornando a região mais ativa também à noite e nos fins de semana " pontua o superintendente Comercial da Canopus, Thiago Hernandez.
Essa também é a expectativa da Nigri, que lançará no primeiro semestre de 2027 provavelmente o maior empreendimento da região central do Rio. O edifício ocupado por décadas pela Caixa Econômica Federal, na Avenida Rio Branco, será transformado em um residencial com 870 unidades. As plantas serão flexíveis para que os compradores possam escolher de estúdios a apartamentos com até três quartos.
Para o CEO da incorporadora, Raphael Nigri, o mercado imobiliário carioca começa a viver agora um movimento que já aconteceu em outras metrópoles mundo afora.
" O Rio tem uma história muito estruturada no Centro e faz todo sentido você ocupar essa região tão importante também com moradias. O fato de as incorporadoras estarem atentas a essa tendência é ótimo, porque um lançamento valoriza o outro e a cidade sai ganhando, no fim das contas " conclui.