Tricolor de coração, platense como legado eterno do pai
Tricolor fanático, o jornalista Emiliano Tolivia torce, por herança paterna, para o ...
Tricolor fanático, o jornalista Emiliano Tolivia torce, por herança paterna, para o Platense, na Argentina. E sempre que ouvia a pergunta "Se houver um Fluminense x Platense, vai torcer para quem?", a resposta vinha acompanhada de um sorriso sem graça e nunca era levada realmente a sério. A possibilidade de um confronto aleatório entre um time tradicional do futebol brasileiro e uma modesta equipe de bairro da Argentina parecia remota, mas isso mudou quando ambos se classificaram para a Libertadores. E quis o destino que as quartas de final tornassem o improvável duelo realidade.
" Não existe aquela manchete de coração dividido. Comigo não tem essa de quem ganhar, estou feliz. Vou ficar bolado se o Fluminense perder. Mas, óbvio que, se o Platense passar, vou torcer a favor depois " garante Emiliano, que aceitou posar segurando a camisa do Platense, mas vestindo só a do Fluminense.
Por mais que o amor pelo Flu fale mais alto, é inevitável que Emiliano se lembre das raízes argentinas de sua família quando a bola rolar no Maracanã e, na semana que vem, no Ciudad de Vicente López, em Buenos Aires. O pai, Julio Oscar Tolivia, era torcedor do Platense, assim como seus três irmãos mais novos. Ele chegou ao Brasil com a esposa Márcia em 1976, no auge da Máquina Tricolor.
" Meu pai viu Rivelino, Paulo César Caju, aquele timaço todo... aí ele se encantou pelo Fluminense. Acho que o fim dos nomes, "tense" e "nense", ajudou também. E ele não gostava do Boca Juniors. "Qual o time que é o Boca aqui (no Brasil)? Ah, é o Flamengo por ser mais popular" (risos) " lembra Emiliano.
Como ainda não havia internet naquela época, Julio não conseguia acompanhar o Platense morando no Brasil e ficava meses sem saber dos resultados, algo impensável nos dias de hoje. O jeito era ligar para os familiares quando possível, uma vez que era caro fazer uma ligação para a Argentina. Já em solo carioca, Emiliano foi a vários jogos do Fluminense com o pai, que faleceu quando ele tinha apenas 13 anos.
O último presente dado ao filho foi justamente uma camisa branca e marrom do Platense, o que simboliza a importância do Calamar ("lula", em português, apelido do clube) na relação entre os dois. Desde então, Emiliano busca manter vivo esse legado, tanto que guarda com carinho a carteirinha de sócio do pai.
Após ver o Platense ficar fora da primeira divisão nacional por 22 anos, o tricolor se emocionou bastante com o título inédito do Apertura do Campeonato Argentino de 2025.
" Era o jogo (Fluminense x Platense) que eu queria ver com o meu pai, de cadeira especial no Maracanã. Seria lindo. Eu lembro que em 1989 fomos no Brasil x Argentina, aquele do golaço de Bebeto na Copa América. Meu pai estava torcendo para a Argentina, mas, quando saiu o gol do Brasil, comemorou meio sem graça (risos) " lembra.
Agora, no papel de pai, o jornalista já incentiva os gêmeos Julio " em homenagem ao avô " e Miguel, de 3 anos, a herdarem as cores verde, branco e grená, apesar de sua mulher, Marina, ser botafoguense. Os garotos já até entraram em campo com os jogadores no Maracanã e frequentam a sede de Laranjeiras.
" Eu explico que o Platense é o time do papai do papai. Outro dia, o Julio soltou: "Vou torcer para o Platense". Eu retruquei: "Não, agora não. A gente tem que torcer para o Fluminense, pelo amor de Deus" " brinca o tricolor com sangue brasileiro e argentino.
(Por Lucas Ribeiro)