Shopee vai conectar vendedores brasileiros com argentina e méxico
Empreendedores brasileiros que vendem pela Shopee têm agora um potencial mercado consumidor ...
Empreendedores brasileiros que vendem pela Shopee têm agora um potencial mercado consumidor ampliado. A plataforma vai levar produtos anunciados por marcas e lojas locais para clientes da Argentina e do México, transformando os vendedores em exportadores. A estratégia de internacionalização tem precedente na Amazon, mas ainda não foi adotada por todas as grandes plataformas do comércio eletrônico.
Em um projeto-piloto, entre o fim de 2025 e o início deste ano, 19 mil lojistas selecionados aderiram ao programa Plataforma Internacional Shopee e anunciaram mais de 1,4 milhão de produtos para clientes mexicanos e argentinos. Agora, o grupo foi ampliado para 150 mil vendedores. Para participar, é preciso atender a critérios como boas métricas de performance e de avaliações dos clientes.
Entre os principais produtos exportados estão itens de moda feminina, utilidades domésticas, esporte e lazer, e peças e acessórios para automóveis.
" A expansão internacional exige do empreendedor o gerenciamento de processos desconhecidos, que vão além da rotina de uma operação voltada ao mercado doméstico. Com a plataforma, queremos impulsionar os empreendedores locais para que possam escalar operações, diversificar receitas e alcançar novos públicos de forma simples " explica Felipe Lima, diretor de Desenvolvimento de Negócios e Operações de Fulfillment da Shopee.
Amazon tem, mas não na AL
O executivo não detalha prazos de entrega, mas ressalta que a rotina de quem vende pela Shopee no Brasil e passará a exportar deve continuar a mesma. Ao receber um pedido de países vizinhos, o lojista precisa apenas preparar o produto para a coleta.
A partir daí, a entrega funciona aos moldes do que já ocorre nos pedidos domésticos, ou seja, por meio da rede de parceiros logísticos da plataforma, que inclui desde a coleta até o transporte internacional e a entrega final. Segundo Lima, a plataforma também oferece ao vendedor e aos clientes o suporte no desembaraço aduaneiro.
Com relação às mudanças de moeda, a própria plataforma faz a conversão cambial. O vendedor define o preço e recebe em real, já descontada a mesma comissão de uma venda nacional, sem custos adicionais, explica o executivo da Shopee.
Na Amazon, os produtos vendidos por empreendedores brasileiros também podem ser ofertados a consumidores de outros países por meio do Global Selling, o programa de vendas internacionais da gigante americana. Mas os itens não vão para países vizinhos: eles são anunciados para clientes dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Itália.
Lançado em 2021, o programa é aberto para qualquer vendedor brasileiro. Atualmente, a Amazon Brasil tem 100 mil vendedores parceiros, e 99% deles são micro, pequenas e médias empresas.
Na plataforma da gigante americana, há regras e especificidades. Alguns produtos não são permitidos, como bebidas alcoólicas, pneus e réplicas. Além disso, alimentos, cosméticos e móveis devem atender às regulamentações e exigências sanitárias e regulatórias vigentes do país de destino.
Além disso, o vendedor é que fica responsável pelo envio e desembaraço da mercadoria, com o apoio de operadores logísticos e agências credenciadas da rede de parceiros da Amazon. Quando o produto chega ao país de destino, passa a atuar a infraestrutura logística da empresa, que cuida da armazenagem, embalagem, entrega e pós-venda.
A diretora de Marketplace da Amazon Brasil, Virgina Pavin, detalha que os produtos de marcas brasileiras com maior apelo entre os consumidores internacionais são aqueles para o lar, de beleza, saúde e cuidados pessoais, além de itens para pet e móveis.
Evolução natural do setor
Outros grandes sites de e-commerce dizem não anunciar produtos de vendedores brasileiros fora do país. Para Roberto Kanter, professor de Gestão de Negócios da Fundação Getulio Vargas (FGV), a internacionalização de marcas brasileiras via marketplace é uma evolução natural do setor e pode se estender a outras plataformas.
Além da expansão de mercado, Kanter ressalta ainda a questão do câmbio, que pode ampliar a rentabilidade, a depender do país de destino dos produtos:
" Pode ser bastante vantajoso, especialmente para quem desenvolve e fabrica seus produtos no Brasil, possui custos predominantemente em reais e consegue comercializá-los em moedas mais fortes. Imagine uma pequena marca brasileira de moda praia apresentando seus produtos para consumidores europeus durante o verão daquele continente (o que ocorre no meio do ano)?