Sábado, 10 de Octubre de 2026

Shopee vai conectar vendedores brasileiros com argentina e méxico

BrasilO Globo, Brasil 10 de octubre de 2026

Empreendedores brasileiros que vendem pela Shopee têm agora um potencial mercado consumidor ...

Empreendedores brasileiros que vendem pela Shopee têm agora um potencial mercado consumidor ampliado. A plataforma vai levar produtos anunciados por marcas e lojas locais para clientes da Argentina e do México, transformando os vendedores em exportadores. A estratégia de internacionalização tem precedente na Amazon, mas ainda não foi adotada por todas as grandes plataformas do comércio eletrônico.
Em um projeto-piloto, entre o fim de 2025 e o início deste ano, 19 mil lojistas selecionados aderiram ao programa Plataforma Internacional Shopee e anunciaram mais de 1,4 milhão de produtos para clientes mexicanos e argentinos. Agora, o grupo foi ampliado para 150 mil vendedores. Para participar, é preciso atender a critérios como boas métricas de performance e de avaliações dos clientes.
Entre os principais produtos exportados estão itens de moda feminina, utilidades domésticas, esporte e lazer, e peças e acessórios para automóveis.
" A expansão internacional exige do empreendedor o gerenciamento de processos desconhecidos, que vão além da rotina de uma operação voltada ao mercado doméstico. Com a plataforma, queremos impulsionar os empreendedores locais para que possam escalar operações, diversificar receitas e alcançar novos públicos de forma simples " explica Felipe Lima, diretor de Desenvolvimento de Negócios e Operações de Fulfillment da Shopee.
Amazon tem, mas não na AL
O executivo não detalha prazos de entrega, mas ressalta que a rotina de quem vende pela Shopee no Brasil e passará a exportar deve continuar a mesma. Ao receber um pedido de países vizinhos, o lojista precisa apenas preparar o produto para a coleta.
A partir daí, a entrega funciona aos moldes do que já ocorre nos pedidos domésticos, ou seja, por meio da rede de parceiros logísticos da plataforma, que inclui desde a coleta até o transporte internacional e a entrega final. Segundo Lima, a plataforma também oferece ao vendedor e aos clientes o suporte no desembaraço aduaneiro.
Com relação às mudanças de moeda, a própria plataforma faz a conversão cambial. O vendedor define o preço e recebe em real, já descontada a mesma comissão de uma venda nacional, sem custos adicionais, explica o executivo da Shopee.
Na Amazon, os produtos vendidos por empreendedores brasileiros também podem ser ofertados a consumidores de outros países por meio do Global Selling, o programa de vendas internacionais da gigante americana. Mas os itens não vão para países vizinhos: eles são anunciados para clientes dos Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Reino Unido e Itália.
Lançado em 2021, o programa é aberto para qualquer vendedor brasileiro. Atualmente, a Amazon Brasil tem 100 mil vendedores parceiros, e 99% deles são micro, pequenas e médias empresas.
Na plataforma da gigante americana, há regras e especificidades. Alguns produtos não são permitidos, como bebidas alcoólicas, pneus e réplicas. Além disso, alimentos, cosméticos e móveis devem atender às regulamentações e exigências sanitárias e regulatórias vigentes do país de destino.
Além disso, o vendedor é que fica responsável pelo envio e desembaraço da mercadoria, com o apoio de operadores logísticos e agências credenciadas da rede de parceiros da Amazon. Quando o produto chega ao país de destino, passa a atuar a infraestrutura logística da empresa, que cuida da armazenagem, embalagem, entrega e pós-venda.
A diretora de Marketplace da Amazon Brasil, Virgina Pavin, detalha que os produtos de marcas brasileiras com maior apelo entre os consumidores internacionais são aqueles para o lar, de beleza, saúde e cuidados pessoais, além de itens para pet e móveis.
Evolução natural do setor
Outros grandes sites de e-commerce dizem não anunciar produtos de vendedores brasileiros fora do país. Para Roberto Kanter, professor de Gestão de Negócios da Fundação Getulio Vargas (FGV), a internacionalização de marcas brasileiras via marketplace é uma evolução natural do setor e pode se estender a outras plataformas.
Além da expansão de mercado, Kanter ressalta ainda a questão do câmbio, que pode ampliar a rentabilidade, a depender do país de destino dos produtos:
" Pode ser bastante vantajoso, especialmente para quem desenvolve e fabrica seus produtos no Brasil, possui custos predominantemente em reais e consegue comercializá-los em moedas mais fortes. Imagine uma pequena marca brasileira de moda praia apresentando seus produtos para consumidores europeus durante o verão daquele continente (o que ocorre no meio do ano)?
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