Martes, 13 de Octubre de 2026

Nobel de economia vai para estudos sobre como reduzir crises e inflação

BrasilO Globo, Brasil 13 de octubre de 2026

Os economistas americanos Robert E. Hall e Michael Woodford foram anunciados ontem como ...

Os economistas americanos Robert E. Hall e Michael Woodford foram anunciados ontem como vencedores do Nobel de Economia de 2026. Segundo a Academia Real Sueca de Ciências, eles foram reconhecidos por suas contribuições às bases microeconômicas da estabilização macroeconômica, com modelos que ampliaram a capacidade de formular políticas para reduzir as oscilações da economia.
Na prática, as pesquisas deram sustentação às decisões dos bancos centrais de subir ou cortar juros para controlar a inflação e estimular a atividade, explica o economista e professor da FGV EPGE Aloisio Araujo. O objetivo é calibrar essas medidas para manter os preços sob controle e o desemprego em níveis razoáveis.
Araujo, que tem pesquisas acadêmicas conjuntas com Woodford, afirma que a expectativa de reconhecimento já existia há algum tempo. Em julho deste ano, o americano esteve no Brasil para participar das conferências realizadas em comemoração aos 80 anos do professor brasileiro.
Na avaliação de Araujo, os trabalhos ajudaram a preencher uma lacuna: embora já se soubesse que os bancos centrais influenciavam a economia, faltavam modelos que explicassem adequadamente como conduzir essa atuação.
" Todo mundo sabia que o Banco Central tinha um papel importante, tinha efeitos reais. Mas ninguém tinha um modelo concreto do que eles deveriam fazer " afirma.
foco em famílias e empresas
A contribuição dos premiados está na maneira como os modelos passaram a explicar as flutuações da atividade. Em vez de se apoiar apenas em relações estatísticas entre indicadores como inflação, produção e consumo, a abordagem incorpora as decisões de famílias e empresas, incluindo suas expectativas sobre o futuro.
Ao decidir quanto consumir ou poupar, por exemplo, as famílias consideram a renda que esperam receber. As empresas levam em conta as condições futuras ao definir preços e investimentos. A comunicação de governos e bancos centrais também influencia essas expectativas e, consequentemente, as escolhas econômicas.
Essa mudança ganhou importância diante das dificuldades enfrentadas pelos modelos keynesianos tradicionais durante as crises do petróleo dos anos 1970. Naquele período, medidas destinadas a combater o desemprego não conseguiram impedir a aceleração da inflação.
Segundo Araujo, o desafio era construir uma orientação para a política monetária que permitisse conter a alta dos preços sem deixar a economia estagnada. As pesquisas dos vencedores contribuíram para o desenvolvimento dos modelos neokeynesianos, usados pelos bancos centrais.
" Eles criaram um modelo no qual você pode ter a taxa de inflação sob controle e, ao mesmo tempo, desemprego em níveis razoáveis " explica Araujo.
Os modelos ajudam a explicar por que as políticas monetária e fiscal precisam ser ajustadas às condições econômicas. Em situações de atividade deprimida e inflação baixa, a redução dos juros pode estimular a economia. Quando a inflação está elevada demais, o aumento da taxa ajuda a conter as pressões sobre os preços. Hall abordou o tema em um artigo em 1978, enquanto Woodford apresentou um novo modelo neokeynesiano em um livro em 2003.
" Você desce os juros e tem o efeito de estimular a economia. Quando a inflação está alta demais, sobe os juros. Esse é o princípio básico que sai dos modelos deles. Os bancos centrais usam isso " diz Araujo.
A política fiscal também pode atuar sobre a demanda: durante uma recessão, a ampliação dos gastos públicos pode estimular a atividade, enquanto medidas na direção contrária podem ajudar a conter um aquecimento excessivo.
Efeito no emprego
Outro elemento dos modelos é o reconhecimento de que preços e salários não se ajustam imediatamente às mudanças na economia. Essa dificuldade ajuda a explicar por que uma crise pode provocar aumento do desemprego, em vez de apenas uma redução dos salários.
Araujo usa as depressões econômicas como exemplo. Em um modelo no qual todos os preços se ajustassem livremente, uma piora da economia poderia levar à queda dos salários, permitindo a manutenção dos empregos. Na prática, porém, esse ajuste não ocorre automaticamente.
" Os salários não caem na hora da depressão. Os salários têm uma inflexibilidade, têm preços rígidos. Os salários são mais rígidos para cair. Eles sobem quando a inflação está alta, mas depois eles não caem quando há um momento de deflação " explica.
Ao incorporar essa resistência, os modelos permitem analisar como as decisões de juros podem afetar a atividade e o emprego.
Os vencedores dividirão 12 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 1,22 milhão (R$ 6,3 milhões), além de receberem um diploma e uma medalha de ouro de 18 quilates. O Nobel de Economia encerra a temporada de anúncios de 2026. A cerimônia de entrega dos prêmios está prevista para 10 de dezembro.
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