Seleção feminina briga por pódio no mundial, que dará vaga em la-2028
Brasil nas cabeças
Brasil nas cabeças
A seleção brasileira feminina de ginástica artística está na briga por pódio no Mundial que começou ontem, em Roterdã, na Holanda. A 54ª edição do torneio reúne atletas de mais de 80 países. Brasil, Japão, China, Estados Unidos e Itália são favoritos. A seleção estreia amanhã, a partir das 14h35 (de Brasília), com transmissão ao vivo do Sportv e da Cazé TV.
Além de ser a competição mais prestigiada do calendário, o Campeonato Mundial deste ano tem importância adicional por ser o primeiro classificatório para Los Angeles-2028. As três melhores equipes de cada naipe garantem vaga e levarão cinco atletas aos Estados Unidos.
As brasileiras, medalhistas de prata por equipe na edição de 2023, atrás dos EUA e à frente da França, terão Rebeca Andrade, a ginasta mais condecorada inscrita para Roterdã, e Flávia Saraiva como líderes. Rebeca soma nove medalhas em Mundiais (oito delas individuais), e Flávia busca o seu terceiro pódio. A seleção terá ainda Lorrane Oliveira, Thais Fidélis, Sophia Weisberg e Gabriela Bouças.
Rebeca: salto e trave
Rebeca não esteve no Mundial do ano passado, que contou com disputas individuais. Mas retornou aos torneios este ano visando justamente ajudar a equipe a buscar a vaga olímpica.
Após o treino de pódio, treinador Francisco Porath, o Chico, definiu a composição do Brasil da seguinte forma: Rebeca competirá no salto e na trave. Flávia e Lorrane farão os quatro aparelhos e brigarão pelo individual geral. Thaís está escalada para as paralelas, trave e solo. E Sophia se apresentará no salto, paralelas e solo.
Na etapa da Copa do Mundo de Szombathely, na Hungria, a última antes do Mundial, Rebeca foi prata na trave, atrás de Flávia, que também ganhou ouro das barras assimétricas e prata no solo. Lorrane foi bronze no solo.
" Rebeca já tem muito a contribuir neste Mundial e no próximo (2027). A ideia é continuar esse trabalho gradativamente, avaliando a possibilidade de incluir outro aparelho ao longo do processo. As paralelas ainda estão em construção. A gente pensa em desenvolver uma série com um formato diferente, com uma nota de partida mais alta e uma execução também melhor. É um desejo dela e algo que estamos trabalhando para o futuro " disse Chico ao GLOBO, ao explicar a estratégia com Rebeca, que não compete mais no solo e no individual geral.
Rebeca é favorita no salto mesmo sem apresentar o Cheng, que não executou em competição este ano. A brasileira deve ter como concorrentes a sul-coreana Yeo Seojeong e a americana Claire Pease. Já a atual campeã mundial do aparelho, a russa Angelina Melnikova teve visto negado pela Holanda por ter manifestado apoio à guerra na Ucrânia. Ela não deve competir.
Consolidar o trabalho
A ginasta de 26 anos é também a atual campeã mundial do individual geral e prata nas barras assimétricas. Ela, que voltou ao cenário internacional em 2025 após três anos de suspensão da Rússia.
Entre as estrelas, além de Rebeca, a italiana Manila Esposito, atual campeã europeia no solo, também está de volta após ter ficado de fora do Mundial de 2025. E a medalhista olímpica Alice Kinsella (GBR) retorna um ano após dar à luz a seu filho.
Hezly Rivera (EUA), campeã olímpica por equipes, Elena Colas (FRA) e a campeã asiática no individual geral, Ke Qinqin, da China, vão estrear em Mundiais.
Sobre as chances de pódio do Brasil, Chico foi comedido.
" Esta é mais uma etapa importante para avaliar a evolução das atletas, consolidar o trabalho que estamos desenvolvendo e seguir avançando, sempre respeitando o momento e a individualidade de cada uma " disse o treinador.
Os EUA são os atuais campeões. São sete títulos mundiais por equipe consecutivos, um recorde histórico, e aposta em uma nova geração. A americana Simone Biles, grande estrela mundial da modalidade, não competirá. Mas a equipe terá as medalhistas de ouro por equipes de Paris-2024, Hezly Rivera e Jade Carey.
Chico fez questão de comemorar o retorno de Thaís Fidelis ao Mundial após sete anos e de Lorrane aos quatro aparelhos. Ela voltou a competir no individual geral no Brasileiro deste ano e foi prata:
" Temos muita admiração por essas duas ginastas.
Thaís tem como pontos fortes o solo e trave.
" São as mesmas do Pan. Sinto que estão mais limpas, com mais ritmo, principalmente na trave e no solo. A coreografia também está melhor " explicou a ginasta, que no Pan deste ano no Rio foi prata por equipes e bronze no individual geral e na trave.