Rihappy tenta renegociar dívidas de r$ 827,4 milhões
Líder no varejo brasileiro de brinquedos, a RiHappy protocolou no Tribunal de Justiça de ...
Líder no varejo brasileiro de brinquedos, a RiHappy protocolou no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas que somam R$ 827,4 milhões. A medida ocorre 48 dias após a empresa mudar de dono, adquirida pela BluSun Capital Partners. O pedido envolve as seis empresas do grupo, como as lojas RiHappy e PB Kids, a importadora New Toys e a Divertudo, de recreação infantil e casas de festa integradas às lojas.
A empresa afirma que a estruturação é parte de um "conjunto de medidas estruturantes", com foco na gestão de liquidez, readequação da estrutura de capital e disciplina de custos, e garantiu que as lojas físicas e os canais digitais da RiHappy e da PB Kids "seguem funcionando normalmente", com as equipes dedicadas à preparação para a Black Friday e o Natal. Com faturamento médio anual de R$ 1,2 bilhão, o grupo RiHappy tem cerca de 300 lojas em todo o país, entre franquias e operações próprias, e emprega cerca de 2,6 mil pessoas.
Varejistas em crise
A administração afirmou em comunicado que o pedido de recuperação acontece num cenário de "desafios enfrentados pelo varejo brasileiro" e citou juros elevados, mudanças no consumo, intensificação da concorrência e efeitos acumulados da pandemia.
"Essas medidas visam organizar a renegociação de dívidas e adequar a estrutura financeira às necessidades operacionais, criando as condições para dar continuidade ao plano de transformação", diz a companhia.
No processo, ao qual O GLOBO teve acesso, o grupo lembra que, em 2023, contratou uma consultoria para renegociar um passivo bancário de R$ 292 milhões, mas diz que a recuperação da economia e do mercado "não ocorreu como se esperava", culminando no cenário atual, em que "o pagamento das dívidas tornou-se incompatível com o fluxo de caixa". Segundo o processo, 42,38% dos detentores de créditos já aderiram ao plano de reestruturação extrajudicial. O patamar já é suficiente para a abertura do processo. Como determina a legislação, nos próximos 90 dias a empresa terá de obter a aprovação de 50% dos credores para que o plano seja homologado pela Justiça.
O pedido de reestruturação da RiHappy insere o grupo em uma lista de varejistas brasileiras em crise e que buscam renegociar suas dívidas pela via judicial ou em recuperações extrajudiciais. Caso de Casas Bahia, Toky (Mobly e Tok&Stok), Lojas Marabraz, CVLB (Casa&Video e Le Biscuit), Americanas e tantas outras. Mas a RiHappy enfrenta particularidades do segmento em que atua, e os advogados do grupo argumentam que a entrada de produtos asiáticos de menor custo, acessíveis em marketplaces como Shopee e Aliexpress, pressionam os preços e as margens das varejistas de brinquedos.
Em maio, a Estrela " tradicional fabricante de brinquedos icônicos como Banco Imobiliário, Jogo da Vida, Detetive, Pogobol e Susi " entrou em recuperação judicial, com dívidas que somam R$ 109 milhões.
Segundo estatísticas da Abrinq, associação que reúne os fabricantes de brinquedos, o faturamento total do setor foi de R$ 10,39 bilhões em 2025, e a participação do comércio eletrônico foi de 38%, contra 22% em 2017.
" O caso da Ri Happy chama atenção para um movimento que vai além das dificuldades conjunturais do varejo. O setor de brinquedos vem passando por transformações importantes. Esses números mostram um setor cujo modelo de negócios está mudando significativamente " avalia Renata Monteiro, CEO da Apsis Consultoria.