Juíza autoriza recuperação judicial da casas bahia
A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do ...
A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), aprovou ontem o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia e deu 30 dias para que o grupo resolva pendências na documentação apresentada ao Judiciário. A varejista tenta reestruturar um passivo que soma R$ 17,3 bilhões devidos a mais de 28 mil credores.
Segundo a magistrada, os fluxos de caixa das seis empresas do grupo precisam ser individualizados e a lista de credores ainda está em atualização, mas são "pendências identificadas, delimitadas e passíveis de esclarecimento ou complementação, e não de vícios que inviabilizam, por si sós, o processamento da recuperação judicial".
A juíza manteve a proteção concedida à Casas Bahia em agosto pelo prazo de 180 dias (chamado de stay period) contra a execução de dívidas, após a companhia alegar, à época do pedido de recuperação, que houve "corrida de credores" contra seu patrimônio.
A magistrada nomeou como administradora judicial da companhia a AJ Ruiz Consultoria Empresarial, que deverá se manifestar quanto à possível necessidade de prorrogação no prazo do stay period.
Perícia judicial
Em crise que atribui a juros elevados, restrição de crédito e pressão sobre o consumo, a Casas Bahia pediu recuperação judicial em 17 de agosto, fechou quase 300 lojas e demitiu 3 mil funcionários.
Uma perícia judicial realizada em documentos e unidades da varejista apontou redução de estoque, áreas ociosas em alguns centros de distribuição e quadro de funcionários com 4,6 mil pessoas a menos em agosto. A análise ainda constatou que as vendas digitais tinham recuado 35% entre julho e agosto.
Realizada pela ACFB Administração Judicial, a perícia visitou 744 lojas e 29 centros logísticos da Casas Bahia e constatou que o grupo segue operando, mas há sinais de retração em parte da estrutura.
Segundo o laudo, protocolado nos autos do processo no início deste mês e ao qual O GLOBO teve acesso, foi constatada operação em nível anormal em nove lojas e três centros de distribuição.
Quanto à operação on-line, os peritos fizeram compras nos canais digitais da Casas Bahia, e os pedidos foram entregues dentro do prazo. A fábrica da Bartira, marca de móveis do grupo, também funciona normalmente.