Lunes, 02 de Noviembre de 2026

Mercado revê projeção para selic no pós-eleição

BrasilO Globo, Brasil 2 de noviembre de 2026

O mercado financeiro migrou em peso para a aposta na manutenção da Taxa Selic nesta semana ...

O mercado financeiro migrou em peso para a aposta na manutenção da Taxa Selic nesta semana após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições. Antes, havia uma expectativa majoritária de corte adicional de 0,25 ponto percentual no Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) na próxima quarta-feira, graças aos sinais de desaceleração da atividade econômica. O movimento que se sucedeu ao pleito decorre da avaliação entre analistas de que há um aumento do risco fiscal, além da disparada do dólar, que acumulou alta de 9% na semana passada, com efeitos diretos na inflação que o BC quer combater. A moeda terminou a semana em R$ 5,44.
Parte da depreciação cambial brasileira é resultado de um reposicionamento do mercado após a vitória de Lula, uma vez que havia expectativa de que Flávio vencesse nas urnas. É baixa a expectativa de um ajuste fiscal robusto em um governo petista. Isso agrava o cenário em que o IPCA, o índice inflacionário oficial, está acima da meta, em 4,58% em 12 meses até setembro " o centro da meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Atualmente, a Selic está em 13,75%, após cinco cortes de 0,25 ponto percentual desde março deste ano.
Diante de um cenário de incertezas, com a guerra no Irã e o El Niño, o Copom tem pregado cautela e serenidade e esperado a evolução dos dados até o encontro para definir os rumos da Selic, sem dar pistas do que será será anunciado.
Na última sexta-feira, as opções digitais de Copom, derivativos padronizados negociados na B3 que permitem ao mercado financeiro especular ou se proteger em relação à definição da Selic, fecharam com 72% de precificação para manutenção dos juros e 26% para corte de 0,25 ponto percentual, segundo o economista-chefe da Quantitas Asset, Ivo Chermont. Ele foi um dos que mudaram a expectativa de queda da taxa a 13,5% para manutenção em 13,75% após as eleições.
inflação mais alta
O economista destaca que a alteração se deve ao aumento do dólar e à esperada piora das expectativas de inflação no Boletim Focus que será divulgado hoje. As projeções devem se distanciar ainda mais da meta. Na última divulgação, antes da definição das eleições, as medianas para o IPCA eram de 5,19% para o final de 2026, 4,34% para o término de 2027 e 3,75% para fim de 2028.
A consultoria Buysidebrazil é outra que passou a ver um cenário mais negativo para a inflação brasileira. Elevou a projeção para o IPCA em 2027 de 3,9% para 4,7% devido às pressões adicionadas pelo câmbio mais desvalorizado. Para o dólar, a previsão mudou de R$ 4,90 para R$ 5,40 no final de 2026 e 2027.
"A combinação de um pressão inflacionária adicional e de um risco maior das expectativas inflacionárias se tornarem desancoradas deve levar o Copom a interromper o ciclo de flexibilização monetária. Embora a atividade econômica continue a mostrar sinais de desaceleração, acreditamos que esses efeitos inflacionários são insuficientes para compensar a deterioração no balanço de riscos", diz, em relatório.
O economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, cita, além da incerteza sobre os rumos da política fiscal no governo reeleito, uma incorporação tardia do mercado dos potenciais efeitos do fenômeno El Niño sobre a inflação de 2027 para justificar a pausa no corte da Selic na próxima reunião. Mas ele avalia que a possível manutenção da Selic não significa o encerramento do ciclo de redução dos juros. "Os próximos passos dependerão da evolução das expectativas de inflação, da atividade econômica e dos demais fatores que influenciam as projeções do Banco Central".
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