Jueves, 05 de Noviembre de 2026

Após quebra de banco, paraguai tem protestos e vendas paralisadas

BrasilO Globo, Brasil 5 de noviembre de 2026

A quebra do banco digital Ueno, no Paraguai, levou pessoas às ruas, praticamente paralisou ...

A quebra do banco digital Ueno, no Paraguai, levou pessoas às ruas, praticamente paralisou as vendas em grandes varejistas do país vizinho e forçou o Congresso Nacional paraguaio a tentar aprovar, às pressas, uma mudança na legislação para agilizar a devolução dos recursos bloqueados. Embora seja apenas o sexto maior do país em valores de depósitos, o Ueno tem uma participação maior nos serviços de pagamentos, especialmente digitais.
São 2,9 milhões de clientes, cerca de 45% da população total do Paraguai, estimada em 6,5 milhões de pessoas neste ano, segundo o Instituto Nacional de Estatística do país vizinho. Antes da intervenção, o Ueno processava quase 3 milhões de transações por dia, ou dois terços dos pagamentos eletrônicos feitos por grandes redes de varejo. Além disso, cerca de 32 mil aposentados e pensionistas recebem seus benefícios pelo Ueno.
Estudante de enfermagem, Deisy Asva, de 20 anos, viu todas as suas economias ficarem retidas e não sabe como vai fazer para pagar suas contas nos próximos dias. No sábado, ela precisa quitar a mensalidade da faculdade.
" Vou ter que pegar dinheiro emprestado com a minha família " lamentou.
Entre os atingidos estão brasileiros que vivem ou têm negócios no Paraguai. Isabela Siqueira, de 21 anos, dona de uma agência de marketing paraguaia e filha de brasileiros, transferiu seu dinheiro para outro banco antes da paralisação, depois de ouvir rumores sobre a situação do banco. Sua mãe e sua irmã, porém, mantiveram os recursos no Ueno e ficaram com os valores bloqueados.
" Os boatos de que o banco iria fechar já circulavam há meses. Acreditei, abri conta em outro lugar e coloquei todo o meu dinheiro lá " contou Isabela ao GLOBO.
O engenheiro de software Dellean Santos Teixeira, de 36 anos, carioca que mora há três anos no Paraguai com a esposa, tem conta no Ueno, mas não foi tão afetado pela intervenção, porque guarda seu dinheiro em várias instituições, principalmente fora do país. Entre conhecidos brasileiros que moram lá, Teixeira acompanha situações diferentes:
" Quem só tinha conta no Ueno ficou apertado.
Segundo Teixeira, o saldo de sua conta voltou a aparecer no aplicativo do banco ontem, embora sem poder movimentar os recursos. O sistema bancário paraguaio tem um fundo de garantia, como o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) do Brasil, que deverá ressarcir os correntistas.
A cobertura é de até 75 salários mínimos, equivalentes a 228,3 milhões de guaranis, ou US$ 37 mil, cerca de R$ 200 mil. Pelas regras, os depósitos são devolvidos em até 15 dias, mas o prazo é considerado longo. Tanto que o Senado aprovou uma lei, na terça-feira, para antecipar parte da devolução para um prazo de 24 horas " um problema na redação da legislação, porém, atrasou a aprovação final.
A instituição financeira sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) na terça-feira. Em seguida, o presidente do BCP, Carlos Carvallo, e mais dois diretores, Marco Aurelio González e Carmen Marín, renunciaram " Carvallo havia comandado uma versão anterior do Ueno. A crise também resultou em oito prisões, entre dirigentes do banco digital e executivos de empresas do Grupo Vázquez, que controla a instituição financeira.
crescimento no boom
Não está claro como o banco chegou à atual situação nem o papel de cada um dos executivos na crise. A procuradora Nancy Salomón, do Ministério Público paraguaio, afirmou ao jornal ABC Color que os investigadores ainda têm "diligências reservadas".
O Ueno cresceu apostando nos serviços digitais e no boom econômico do Paraguai. Amealhou milhões de correntistas e depósitos de 17 trilhões de guaranis (US$ 2,8 bilhões, ou R$ 15 bilhões). Em meio a uma onda de otimismo dos investidores com o Paraguai, captou US$ 350 milhões em março, em uma emissão de títulos corporativos.
A crise também respinga no presidente paraguaio, Santiago Peña. Após o anúncio da intervenção, formaram-se filas no entorno de agências do Ueno, de pessoas que tentavam retirar seu dinheiro. Ontem, protestos de correntistas do banco ocorreram no centro de Assunção e em frente à residência oficial do presidente. Segundo o ABC Color, houve tumultos e confrontos quando um grupo de manifestantes tentou avançar em direção à sede do Congresso Nacional e foi contido pela Polícia Nacional.
*Com agências internacionais
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