Domingo, 08 de Febrero de 2026

Dois dedos de prosa entre a musa quitéria chagas e a escritora conceição evaristo,  a grande  homenageada do império serrano

BrasilO Globo, Brasil 7 de febrero de 2026

A uma semana do início da maior festa popular brasileira, a coluna abre espaço para um ...

A uma semana do início da maior festa popular brasileira, a coluna abre espaço para um encontro de dois ícones da nossa cultura. Nome escolhido como enredo para 2026 pelo Império Serrano, Conceição Evaristo, 79 anos, terá sua história contada na Marquês de Sapucaí no próximo sábado, dia 14. Será um momento para reverenciar a escritora negra, cujos dizeres ganham cada vez mais admiradores no Brasil e em outros países.
"A identidade brasileira é profundamente marcada por uma africanidade. E o carnaval explora isso muito bem. Mas o que, enquanto nação, nos fizeram acreditar? Que o Brasil é marcado por um espírito europeu. Tem? Tem. Não é jogar a história da colonização fora. Mas, sem modéstia alguma, nós, negros, queira a sociedade brasileira aceitar ou não, somos o fundamento da cultura brasileira", atestou a mineira na conversa com Camila Araujo, da turma da coluna.
Pois, como mostra a foto de Marcelo Theobald, a nossa Conceição é adorada por outra poderosa mulher: a Rainha de Bateria da escola do Morro da Serrinha, Quitéria Chagas, 45 anos " sendo 26 deles vividos na Avenida.
Por tudo isso a coluna fugiu do script e resolveu promover uma conversa entre as duas mulheres empoderadas. Veja:
Quitéria Chagas: As mulheres que aparecem nos seus livros sustentam a vida com afeto, dignidade e resistência. Que relação você vê entre essas mulheres e as mulheres da Serrinha, que constroem o Império Serrano no dia a dia?
Conceição Evaristo: "As mulheres da Serrinha, as mulheres negras em geral, são muito laboriosas. Desde o processo de escravização dos povos africanos, as mulheres trabalham nas suas casas, nas casas de suas patroas e nas ruas. Podemos dizer, então, que as mulheres da Serrinha constroem e alimentam o chão da própria escola. Fazem isso com suas danças, com suas músicas, com a elegância que têm. Mulheres donas da festa, donas da resistência, que são a alma da escola".
QC: Ver seus personagens e a sua própria história ganhando forma na Avenida, nos corpos, nos passos e nos tambores é também se ver refletida ali. O que esse momento desperta na mulher, na escritora e na menina que sonhou a partir da escassez?
CE: "Eu sinto um imenso sentimento de gratidão. Um sentimento que me faz bendizer a vida. Tenho dito que, desde pequena, eu sempre desejei alguma coisa. Sabia que a vida estava além dos limites que me pareciam impostos. Perceber como a escola se apropria da literatura me dá uma certeza muito grande de que a minha literatura faz sentido. Fico muito grata".
Em tempo…
Conceição fez questão de tecer um comentário sobre a nossa Quitéria: "Para mim, Quitéria é uma personificação da luta das mulheres negras de conquistarem vários campos profissionais. Ela é profunda conhecedora da dinâmica que constitui uma escola de samba. Ela afirma que foi num espaço do samba que encontrou elementos para pensar a resistência das mulheres negras e construir uma visão crítica do espaço social brasileiro". Eu concordo!
Nelson Lima Neto
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