Jueves, 19 de Febrero de 2026

Irã fecha parte do estreito de ormuz em meio a avanço de negociação nuclear com os eua

BrasilO Globo, Brasil 18 de febrero de 2026

sinais contraditórios

sinais contraditórios
Enquanto delegações diplomáticas de Irã e EUA alcançaram o que mediadores reportaram como "progressos" nas negociações de um novo acordo nuclear durante uma rodada de negociações em Genebra, o regime de Teerã anunciou ontem que partes do Estreito de Ormuz seriam fechadas por motivos de "segurança", em razão dos exercícios militares da Guarda Revolucionária iraniana. As tratativas acontecem em paralelo a preparativos militares, após a grande mobilização de navios de combate e porta-aviões de Washington para a região, e de elevadas tensões " com o presidente americano, Donald Trump, afirmando que a nação persa não está preparada para as "consequências" de um não acordo, e o aiatolá Ali Khamenei ameaçando afundar a frota enviada para o Golfo Pérsico.
O anúncio do fechamento parcial do Estreito de Ormuz " principal via de escoamento das produções de petróleo e gás dos países do Golfo Pérsico " foi feito pela televisão estatal iraniana. A justificativa apresentada na rede oficial foi o respeito aos "princípios de segurança e navegação", uma vez que as forças navais da Guarda Revolucionária iniciaram treinamentos de prontidão um dia antes, com o objetivo anunciado de preparar uma resposta rápida em caso de agressões.
sem linhas vermelhas
A tensão militar entre os países rivais acontece em meio a um delicado processo diplomático, que ocorre por meio de diálogos indiretos mediados por representantes de Omã. A segunda rodada de negociações aconteceu ontem na capital do país do Oriente Médio, Mascate, e terminou com avaliações positivas " embora não tenha dissipado a escalada da retórica bélica.
" Ao final, conseguimos alcançar um acordo amplo sobre uma série de linhas gerais, com base nas quais avançaremos e começaremos a trabalhar no texto de um possível pacto " disse o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, à TV estatal iraniana, embora não tenha fixado uma data para a próxima rodada de diálogo.
Horas depois, em uma conferência sobre desarmamento em Genebra, Araghchi reafirmou que "uma nova janela de oportunidade se abriu", insistindo, porém, que um acordo viável deve garantir o "pleno reconhecimento dos direitos legítimos do Irã de ser protegido contra ações unilaterais".
" Temos esperança de que a negociação leve a uma solução sustentável e negociada, que possa atender aos interesses das partes envolvidas e da região. Pelo menos agora temos um conjunto de princípios orientadores e um caminho mais claro para seguir em frente.
Já o vice-presidente americano, JD Vance, não foi tão otimista. Horas antes do início da reunião, Trump voltou a fazer ameaças veladas ao regime " quando a delegação iraniana já estava em Genebra.
" Em alguns aspectos, correu bem. Mas, em outros, ficou muito claro que o presidente estabeleceu algumas linhas vermelhas que os iranianos ainda não estão preparados para reconhecer e abordar.
A expectativa antes do encontro era de que ao menos o escopo dos termos em discussão fosse definido. Enquanto Teerã defende que apenas o programa nuclear deve ser discutido, Washington e aliados pretendiam, ao menos inicialmente, impor limitações também ao programa de mísseis balísticos e à rede de milícias e grupos armados conhecida como "Eixo da Resistência".
As declarações de Trump foram rebatidas ontem por Teerã. Em um discurso televisionado, o aiatolá Ali Khamenei direcionou comentários ao americano, e afirmou que Washington não destruiria a República Islâmica, apesar da escalada militar.
" O presidente dos EUA disse que, em 47 anos, outros governos não conseguiram destruir a República Islâmica... Eu lhes digo: vocês também não conseguirão " disse o aiatolá, ameaçando ainda afundar a frota americana enviada para a região. " Ouvimos constantemente que eles enviaram um navio de guerra em direção ao Irã. Um navio de guerra é certamente uma arma perigosa, mas ainda mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo.
Trump anunciou recentemente o envio do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, para o Golfo Pérsico, reforçando um arsenal que já contava com o porta-aviões USS Abraham Lincoln. Os dois navios servem de plataforma para o lançamento de alguns dos jatos de caça mais poderosos e versáteis do mundo, que poderiam ser acionados para bombardeios contra o território iraniano.
dilema existencial
Analistas avaliam que a situação é particularmente difícil para o regime iraniano, que foi pressionado recentemente por protestos internos, viu suas alianças regionais enfraquecerem após mais de dois anos de guerra entre Israel e grupos apoiados por Teerã e foi bombardeado diretamente pelos EUA no ano passado.
" [O Irã] está confrontando um dilema existencial: ceder às exigências americanas poderia permitir um alívio das sanções, algo que necessita desesperadamente " declarou o diretor do Centro para Oriente Médio e Ordem Global, Ali Fathollah-Nejad. " [Mas] qualquer concessão significativa nas questões nucleares, balísticas e relacionadas aos aliados regionais poderia comprometer gravemente sua posição ideológica e militar.
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