Martes, 28 de Julio de 2026

Gasparino renuncia ao conselho da vale

BrasilO Globo, Brasil 28 de julio de 2026

A Vale informou ontem que Marcelo Gasparino, conselheiro que ocupava o posto de vice-presidente do ...

A Vale informou ontem que Marcelo Gasparino, conselheiro que ocupava o posto de vice-presidente do Conselho de Administração, renunciou e deixará o colegiado em 1º de agosto. A carta de renúncia foi enviada à empresa cinco dias após a mineradora ter afirmado que convocaria uma Assembleia Extraordinária de Acionistas (AGE) para votar a destituição de Gasparino, sob alegação de que ele teria vazado informações confidenciais da companhia, o que ele nega.
Por decisão do próprio Conselho de Administração da Vale, Gasparino também foi afastado do Comitê de Indicação e Governança e do Comitê de Pessoas e Remuneração.
Na semana passada, a Vale informou que a decisão de pedir a destituição de Gasparino aos acionistas havia sido tomada após uma investigação conduzida por um escritório externo independente, contratado por determinação do Conselho, segundo a qual o executivo foi responsável pelo vazamento de informações sigilosas relacionadas à reunião do colegiado realizada em 19 de junho. Gasparino rebateu a acusação em sua carta de renúncia.
Disputa no Colegiado
Naquela reunião, o Conselho recomendou aos acionistas que rejeitassem a destituição de Daniel Stieler da presidência do colegiado, que havia sido solicitada pela Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, principal acionista individual da Vale " depois de resistir ao movimento da Previ, Stieler acabou renunciando ao cargo de presidente do Conselho em 6 de julho.
Na reunião de 19 de junho, antes portanto da renúncia de Stieler, Gasparino defendeu sua permanência no colegiado e divulgou voto em separado na ata do encontro. Numa versão ampliada do voto, afirmou que Stieler informou aos demais membros do colegiado sobre "fatos graves de que tomou conhecimento nos últimos anos", como revelou o colunista do GLOBO Lauro Jardim à época. A revelação do trecho do voto de Gasparino gerou indisposição, assim como o caso da avaliação, por alguns membros do Conselho, de um possível negócio com a J&F, dos irmãos Batista, também revelado pelo colunista.
Além de defender a permanência de Stieler, Gasparino apresentou, na reunião de 19 de junho, sua candidatura para a presidência do Conselho, como concorrente de Manuel Oliveira, o Ollie, apoiado pela Previ. Assim como o voto em separado, o lançamento da candidatura foi um movimento de contraposição à posição da Previ.
Na AGE, realizada na semana passada em formato virtual, Ollie venceu Gasparino na votação e foi eleito presidente do Conselho de Administração da Vale. Ele tomou posse ontem.
Defesa na carta
Na carta de renúncia, que teve trechos divulgados pelo Valor, Gasparino diz que não houve divulgação de informação relevante não pública.
"O que fiz foi encaminhar, de forma reservada, a um analista de mercado, parte do material que era de minha exclusiva autoria e que refletia minhas próprias opiniões e avaliações. Não houve divulgação de informação relevante não pública. Não houve intenção de obter qualquer vantagem, interferir na negociação de valores mobiliários ou expor manifestações confidenciais de outros administradores. Tampouco foi demonstrado qualquer prejuízo à Companhia ou aos seus acionistas em decorrência desse encaminhamento", disse.
"Considero importante registrar perante o mercado que o compartilhamento, em caráter reservado, de um documento de minha exclusiva autoria não poderia ser confundido com vazamento de informação confidencial da Companhia", complementa o executivo, acrescentando que sua "defesa jurídica será apresentada nas instâncias competentes".
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