Regiane alves e o poder da educação em transformar a vida
A atriz Regiane Alves, de 47 anos, paulista de Santo André (SP), pode pedir música no ...
A atriz Regiane Alves, de 47 anos, paulista de Santo André (SP), pode pedir música no "Fantástico". Ela interpreta, pela terceira vez, o papel de uma professora em uma novela, desta vez como Margô, profissional de uma escola pública em "Por você", próxima trama das sete da TV Globo, com estreia no dia 17 de agosto. Antes, ela foi a professora Ana Clara, em "Fascinação" (1998), de Walcyr Carrasco, no SBT, e depois Belinha, no remake de "Cabocla" (2004), de Edilene Barbosa e Edmara Barbosa, na Globo. Na conversa com Fernanda Pontes, da turma da coluna, Regiane " que está em cartaz em São Paulo com a peça "Querida mamãe" e integra o elenco do filme "Voltei na foto"" fala sobre o desafio de viver uma professora. Isso, diz ela, em um momento de desvalorização da educação e ainda sob o impacto do caso da professora Michele Ramos, da rede municipal de São Paulo, que encontrou, no mês passado, uma lâmina de vidro em um copo de água.
Para construir a Margô, você buscou alguma inspiração? Algum professor em especial marcou a sua vida?
A primeira inspiração foi assistir ao filme "Escritores da liberdade", que conta a história de uma professora que acredita na educação como forma de transformar a vida dos alunos. Isso tem muito a ver com a Margô. A trama também fala das dificuldades de ser professor, que, muitas vezes, acaba tirando dinheiro do próprio bolso para tentar fazer uma reforma na escola. Meus filhos estão em idade escolar, então tenho um contato muito próximo com esse universo. Também escrevi o livro "O mundo é uma bola" (Ciranda), com Liliane Mesquita, e visitamos muitas escolas para fazer leituras. Tudo isso acabou alimentando a construção da personagem. Todos nós guardamos a lembrança de algum professor. Eu me lembro da professora Nádia, de Artes, e de como ela mostrava que a arte podia ajudar no aprendizado. Eu acredito muito nisso. Acho que arte e educação caminham juntas e aproximam os alunos da escola.
A Margô põe os alunos no centro da vida dela. Em um momento em que tantos professores reclamam da falta de reconhecimento, você acha que uma personagem como ela pode ajudar a valorizar a educação pública e a profissão?
Acredito que falta reconhecimento para essa categoria, inclusive salarial. Os professores carregam uma responsabilidade enorme. Não é uma profissão fácil. Existe a questão dos limites, do número de alunos por sala. Se houvesse mais escolas e menos estudantes por turma, talvez permanecessem mais tempo na profissão. Logo nos primeiros capítulos, a Margô sofre uma agressão de uma aluna e faz um discurso sobre o que enfrenta por ser mulher. Essas notícias me chocam muito, como a da professora que postou um vídeo chorando quando colocaram uma lâmina de vidro dentro da garrafa de água. Aquilo foi um grande desabafo e me serviu de inspiração para a história. Então, espero que a novela consiga retratar essa realidade da maneira mais fiel possível e, quem sabe, contribuir para melhorar essa situação. Da mesma forma que a Dóris, em "Mulheres apaixonadas", ajudou a impulsionar a discussão sobre o Estatuto do Idoso, torço para que a Margô também provoque reflexão.
Por falar em Dóris, mais de 20 anos depois ela continua sendo uma das vilãs mais lembradas da TV...
Até hoje as pessoas adoram odiar a Dóris. Ela continua sendo uma das principais formas de o público chegar até mim, e eu me sinto muito honrada por isso. Foi um grande divisor de águas na minha carreira.
Em tempo
O filme "Escritores da liberdade", lançado em 2007 e dirigido por Richard LaGravenese, inspirado em fatos, narra a história de uma professora, vivida pela atriz Hilary Swank, vencedora de dois Oscars, que assume uma turma de alunos problemáticos de uma escola na Califórnia, cuja direção não dava a devida atenção à situação. Aos poucos, ela consegue quebrar muitas barreiras. Mas o desafio não foi fácil.